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Macetes de Verbos para Concursos com Tempos, Modos e Vozes

Macetes de Verbos para Concursos com Tempos, Modos e Vozes

O verbo situa ações, estados e acontecimentos no tempo. Aprenda a reconhecer suas flexões, formar tempos, comparar modos e resolver as pegadinhas mais cobradas.

INDICATIVOfato e certeza
SUBJUNTIVOhipótese e possibilidade
IMPERATIVOordem, pedido e conselho

Para resolver questões de verbos, não comece tentando decorar todas as conjugações. Primeiro localize a forma verbal e identifique quatro informações: quem pratica ou vivencia o processo, quando ele ocorre, qual atitude o falante expressa e como o sujeito participa da ação. Transforme essas perguntas em um roteiro rápido de prova.

1

Reconheça o verbo na frase

Nível básico: encontre a palavra que organiza o processo expresso pela oração.

Macete inicial
Ação, estado, mudança ou fenômeno: procure a palavra que varia no tempo.

O verbo pode indicar ação — o candidato estudou —, estado — o candidato permanece confiante —, mudança de estado — o candidato ficou nervoso — ou fenômeno natural — choveu durante a prova. Essas definições ajudam, mas o sinal mais seguro é a flexão: o verbo pode variar em pessoa, número, tempo, modo e voz.

AçãoO fiscal abriu o portão.
EstadoA candidata está tranquila.
FenômenoChoveu antes da prova.

As cinco informações que a banca procura

InformaçãoPerguntaExemplo
PessoaQuem participa?eu estudo / ele estuda
NúmeroSingular ou plural?estuda / estudam
TempoQuando ocorre?estudou / estuda / estudará
ModoFato, hipótese ou ordem?estuda / estude / estuda!
VozO sujeito pratica ou sofre?corrigiu / foi corrigida
1. LocalizeMarque a palavra que varia no tempo.
2. CompareTroque presente por passado ou futuro.
3. ClassifiqueIdentifique pessoa, número, tempo e modo.

Não confunda verbo com palavra de ação. Em “a rápida aprovação surpreendeu a turma”, aprovação nomeia um fato, mas é substantivo. O verbo é surpreendeu, pois recebe flexão: surpreende, surpreendeu, surpreenderá.

O contexto decide a classificação

O mesmo verbo pode assumir funções diferentes conforme a frase. Em “o candidato anda rapidamente”, andar indica movimento e possui sentido completo. Em “o candidato anda preocupado”, o verbo liga o sujeito a uma característica e funciona como verbo de ligação. Por isso, não classifique um verbo apenas pelo dicionário ou por uma lista decorada: leia a construção inteira.

Verbo significativo

O servidor permaneceu no setor.

O verbo conserva sentido próprio e indica permanência em determinado lugar.

Verbo de ligação

O servidor permaneceu calmo.

O verbo liga o sujeito ao estado expresso por “calmo”.

Macete de contexto
Se o verbo conserva sentido próprio e o termo seguinte completa seu sentido ou indica uma circunstância, ele é significativo; se apenas liga o sujeito a um estado ou característica, é verbo de ligação.

Para ampliar a teoria geral, consulte o guia Como Estudar Verbos para Concursos Públicos. Use o guia para aprofundar a teoria e aplique os macetes abaixo sempre com atenção aos limites de cada regra.

2

Desmonte a forma verbal

Nível básico-intermediário: reconheça radical, vogal temática e desinências.

Macete da montagem
Radical dá o sentido; vogal temática mostra a família; desinência informa tempo, modo, pessoa e número.
FALradical
Avogal temática
VAtempo e modo
MOSnúmero e pessoa

Em falávamos, o radical fal- concentra o sentido lexical; a vogal temática -a- identifica a primeira conjugação; -va- marca o pretérito imperfeito do indicativo; e -mos indica primeira pessoa do plural. Nem toda forma verbal mostra as quatro partes com a mesma nitidez, mas esse modelo ajuda a interpretar questões de estrutura.

As três famílias verbais

1ª conjugaçãoVerbos terminados em -AR: cantar, estudar, organizar.
2ª conjugaçãoVerbos terminados em -ER e o verbo pôr: vender, temer, pôr.
3ª conjugaçãoVerbos terminados em -IR: partir, decidir, intervir.

Por que “pôr” pertence à segunda conjugação? A vogal temática e desapareceu no infinitivo, mas permanece em formas como pões. A evolução histórica poner → poer → pôr também mostra sua ligação com os verbos terminados em -er. Os derivados — compor, propor, repor e supor — seguem a conjugação de pôr.

Como a estrutura ajuda na prova

  • Reconhecer a pessoa e o número pela terminação.
  • Distinguir pretérito imperfeito de outras formas.
  • Perceber alteração de radical em verbo irregular.
  • Formar tempos derivados de uma forma primitiva.
FormaRadicalMarca principalLeitura
estudávamosestud--va- + -mosimperfeito, 1ª pessoa do plural
venderiamvend--ria- + -mfuturo do pretérito, 3ª pessoa do plural
partíssemospart--sse- + -mosimperfeito do subjuntivo, 1ª pessoa do plural

Mudança de grafia não é sempre irregularidade. Em ficar → fiquei e carregar → carreguei, a escrita muda para preservar a pronúncia. O radical não sofreu uma irregularidade morfológica verdadeira.

Formas primitivas geram outras formas

Em muitos verbos, uma forma serve de base para a construção de várias outras. A primeira pessoa do presente do indicativo ajuda a formar o presente do subjuntivo: eu faço → que eu faça; eu digo → que eu diga. A terceira pessoa do plural do pretérito perfeito ajuda a formar o imperfeito e o futuro do subjuntivo: fizeram → fizesse/fizer.

Forma conhecidaeles tiveram
Imperfeito do subjuntivose ele tivesse
Futuro do subjuntivoquando ele tiver

Esse raciocínio reduz a necessidade de decorar quadros completos. Em vez de tentar lembrar isoladamente tivesse, tiver, fizesse e fizer, recupere primeiro as formas tiveram e fizeram. A família verbal passa a funcionar como um sistema.

3

Diferencie os três modos verbais

Nível intermediário: descubra a atitude do falante antes de identificar o tempo.

Macete dos modos
Indicativo afirma; subjuntivo imagina; imperativo orienta.
INDICATIVOApresenta fato, certeza ou algo tratado como real.
O candidato estuda.
SUBJUNTIVOExpressa hipótese, desejo, dúvida, condição ou possibilidade.
Talvez o candidato estude.
IMPERATIVOExpressa ordem, pedido, convite, conselho ou proibição.
Estude com atenção.

O modo não depende apenas da terminação. O contexto revela como o falante apresenta o processo. Em “ele chegará”, o fato é afirmado como futuro; em “talvez ele chegue”, há possibilidade; em “chegue cedo”, a forma orienta o interlocutor.

QUE, SE e QUANDO: as três portas do subjuntivo

QUEAjuda a formar o presente:
que eu estude.
SEAjuda a formar o imperfeito:
se eu estudasse.
QUANDOAjuda a formar o futuro:
quando eu estudar.

Essas palavras são gatilhos de memorização, não provas automáticas. “Que”, “se” e “quando” também exercem outras funções. A forma verbal e o sentido da oração devem confirmar o modo.

Imperativo afirmativo e negativo

Formação do imperativo
Afirmativo: TU e VÓS vêm do indicativo sem o S; as outras pessoas vêm do subjuntivo. Negativo: tudo vem do subjuntivo.
PessoaAfirmativoNegativo
tuestuda tunão estudes tu
vocêestude vocênão estude você
nósestudemos nósnão estudemos nós
vósestudai vósnão estudeis vós
vocêsestudem vocêsnão estudem vocês

Erro frequente: misturar as pessoas. “Faça tu” combina forma de terceira pessoa com o pronome tu. Na norma-padrão, use faze tu ou faça você.

Exceção do verbo ser: no imperativo afirmativo, as formas corretas são sê tu e sede vós. Elas não seguem simplesmente o presente do indicativo sem o s. Para as demais pessoas, usam-se seja você, sejamos nós e sejam vocês.

O imperativo não expressa somente ordem

Uma mesma forma imperativa pode produzir efeitos diferentes. “Feche a porta” pode ser ordem; “venha conhecer o curso” funciona como convite; “tenha cuidado” é conselho; “não desista” expressa incentivo ou proibição, conforme o contexto. A banca pode pedir o valor semântico da forma, e não apenas sua classificação morfológica.

ORDEMEntregue o cartão agora.
CONSELHORevise o conteúdo com calma.
PROIBIÇÃONão abra o caderno antes do sinal.

Subjuntivo sem palavra de dúvida: a forma pode aparecer por exigência de outra construção. Em “é necessário que o candidato estude”, o subjuntivo decorre da ideia de necessidade e da oração subordinada, não da presença de “talvez”.

4

Domine os tempos do indicativo

Nível intermediário: separe ação concluída, habitual, anterior e futura.

PASSADOestudou · estudava · estudara
PRESENTEestuda
FUTUROestudará · estudaria
Perfeito × imperfeito
PERFEITO fecha a ação; IMPERFEITO mostra duração, hábito, repetição ou cenário.

Pretérito perfeito

Ontem, o candidato resolveu a prova.

A ação é apresentada como concluída.

Pretérito imperfeito

Naquela época, o candidato resolvia provas diariamente.

A ação era habitual ou estava em desenvolvimento.

Macete AVA, IA, NHA e ERA

cantAVA vendIA tiNHA ERA

As terminações -ava nos verbos da primeira conjugação e -ia nos verbos da segunda e da terceira ajudam a reconhecer o pretérito imperfeito. Os verbos ter e ser aparecem frequentemente como tinha e era. O macete é útil, mas a forma precisa ser analisada no contexto.

TempoIdeia principalExemploMacete
Presenteatual, habitual, universal ou históricoA Terra gira em torno do Sol.agora ou verdade geral
Pretérito perfeitoação concluídaEle estudou ontem.fechou
Pretérito imperfeitohábito, duração ou cenárioEle estudava à noite.AVA/IA/NHA/ERA
Mais-que-perfeitopassado anterior a outro passadoQuando chegou, a prova já começara.passado do passado
Futuro do presentefato posterior ao momento da falaEle estudará amanhã.depois de agora
Futuro do pretéritohipótese, condição, cortesia ou futuro visto do passadoEle estudaria se pudesse.-ria

O presente possui vários valores. Em “a banca publica o edital amanhã”, a forma está no presente, mas aponta para o futuro. Em “Machado de Assis publica o romance em 1881”, o presente histórico aproxima um fato passado.

Mais-que-perfeito: o passado do passado

O pretérito mais-que-perfeito situa uma ação anterior a outra também passada. Em “quando o fiscal chegou, os candidatos já haviam entrado”, a entrada ocorreu antes da chegada. Na forma simples, aparecem construções como estudara, fizera, vendera e partira. Como essa forma é menos frequente na fala, as bancas costumam explorá-la em textos formais e em questões de substituição.

Exemplo seguro: “Quando recebeu a convocação, o candidato já entregara os documentos.” A entrega ocorreu antes do recebimento da convocação.

Futuro do pretérito: mais que hipótese

A terminação -ria costuma indicar hipótese condicionada: “estudaria se tivesse tempo”. Também pode expressar cortesia — “você poderia ajudar?” —, possibilidade — “o resultado seria divulgado à tarde” — ou futuro em relação a um ponto passado: “o órgão informou que publicaria o edital”.

Hipótese

Ele passaria se estudasse.

Futuro visto do passado

O órgão informou que publicaria o resultado.

Use também o Mapa Mental de Verbos para Concursos Públicos para revisar os tempos em uma visão mais compacta.

5

Forme o subjuntivo e faça correlações

Nível intermediário-avançado: derive as formas e combine tempos coerentes.

Três tempos do subjuntivo
QUE eu estude; SE eu estudasse; QUANDO eu estudar.

Presente do subjuntivo: comece pelo “eu” do indicativo

1. Presente do indicativoeu canto · eu vendo · eu parto · eu faço
2. Retire o “o”cant- · vend- · part- · faç-
3. Completecante · venda · parta · faça

Nos verbos da primeira conjugação, aparece normalmente a vogal e: que eu cante. Nos verbos da segunda e da terceira, aparece normalmente a: que eu venda, que eu parta. O processo também ajuda com muitos irregulares: eu faço → que eu faça; eu digo → que eu diga.

Exceções que precisam ser memorizadas

O macete de retirar o -o da primeira pessoa resolve muitos verbos, mas não todos. Alguns apresentam formas próprias no presente do subjuntivo e devem ser aprendidos como um pequeno grupo especial.

VerboPresente do subjuntivoExemplo
sersejaEspero que ele seja aprovado.
darÉ necessário que ele atenção ao enunciado.
estarestejaTalvez o candidato esteja preparado.
haverhajaÉ possível que haja recursos.
irConvém que ele cedo.
quererqueiraTalvez ela queira revisar.
sabersaibaEspero que você saiba aplicar a regra.
Macete das exceções
SEJA, DÊ, ESTEJA, HAJA, VÁ, QUEIRA e SAIBA: sete formas que não nascem apenas da retirada do “o”.

Imperfeito e futuro: use a terceira pessoa do plural do perfeito

Imperfeito do subjuntivo

fizeram − ram + sse = fizesse

cantaram − ram + sse = cantasse

Futuro do subjuntivo

fizeram − am = fizer

cantaram − am = cantar

O macete funciona porque essas formas são derivadas do pretérito perfeito. Ele é especialmente útil com verbos irregulares: fizeram → fizesse/fizer; tiveram → tivesse/tiver; vieram → viesse/vier.

Correlação verbal

Pares que mais caem
SE estudasse → passaria. SE estudar → passará. Pedi que estudasse. Espero que estude.
Primeira formaForma correlataSentido
Se estudassepassariahipótese presente ou futura vista como pouco provável
Se estudarpassará ou terá boas chancescondição possível
Esperoque ele estudedesejo no presente
Pedique ele estudassepedido situado no passado

Não trate a correlação como tabela rígida. O contexto pode combinar tempos diferentes para produzir anterioridade, simultaneidade ou posterioridade. O erro aparece quando a sequência quebra a lógica temporal, como em “se estudasse, passará” sem um contexto que justifique a mudança.

Correlação em tempos compostos

Hipótese passada não realizada

Se ele tivesse estudado, teria passado.

As duas formas apresentam um fato contrário ao que ocorreu.

Possibilidade concluída antes de outra

Espero que ele tenha concluído a inscrição.

A conclusão é anterior ao momento da esperança.

Conjunção não determina sozinha o tempo

A palavra quando pode acompanhar indicativo ou subjuntivo. Em “quando ele chegou, a prova começou”, o fato é passado e real. Em “quando ele chegar, a prova começará”, há referência futura e aparece o futuro do subjuntivo. Da mesma forma, se pode introduzir condição — “se estudar” — ou pergunta indireta — “não sei se ele estuda”.

Macete de confirmação
Use QUE, SE e QUANDO para lembrar a forma; use o sentido da frase para confirmar o tempo e o modo.
6

Use formas nominais, locuções e tempos compostos

Nível avançado: identifique qual verbo recebe a flexão e qual carrega o sentido principal.

R INFINITIVOestudar, vender, partir
NDO GERÚNDIOestudando, vendendo
-DO PARTICÍPIOestudado, vendido
Locução verbal
O auxiliar recebe a flexão; o principal fica no infinitivo, no gerúndio ou no particípio.

Forma correta

Devem existir pessoas interessadas.

O auxiliar concorda com o sujeito; existir fica no infinitivo.

Forma incorreta

Deve existirem pessoas interessadas.

A flexão foi deslocada para o verbo principal.

Verbo impessoal transmite a impessoalidade à locução. Como haver, no sentido de existir, não possui sujeito, escreve-se deve haver candidatos, e não devem haver candidatos.

Tempo composto ou locução verbal?

ConstruçãoEstruturaExemploLeitura
Tempo compostoter/haver + particípioTenho estudado muito.o conjunto forma um tempo verbal composto
Locução progressivaestar + gerúndioEstou estudando agora.ação em desenvolvimento
Locução modaldever/poder + infinitivoVocê deve estudar.obrigação, possibilidade ou conselho
Passiva analíticaser, estar ou ficar + particípioA prova foi corrigida; o assunto está resolvido.o sujeito é apresentado como paciente

Particípio: concordância e invariabilidade

Com ter ou haver

As candidatas tinham estudado.

O particípio permanece invariável.

Com ser na passiva

As provas foram corrigidas.

O particípio concorda com o sujeito paciente.

Infinitivo pessoal e impessoal

Três perguntas
Está em locução? Há sujeito próprio expresso? O autor quer destacar quem realiza a ação?
SituaçãoForma recomendadaExemplo
Locução verbalInfinitivo normalmente sem flexãoOs candidatos devem estudar.
Sujeito não expressoPode haver escolha de focoEstudamos para vencer / para vencermos.
Sujeito lexical expressoFlexão obrigatóriaEstudamos para nós vencermos.
ErroInfinitivo sem concordar com sujeito expressoEstudamos para nós vencer.

Na locução verbal, o infinitivo integra o conjunto formado com o auxiliar e normalmente não recebe a marca de pessoa: eles precisam estudar, elas podem participar. Fora da locução, a escolha depende de o texto destacar somente a ação ou também o agente. Em estudamos para vencer, o foco está na finalidade; em estudamos para vencermos, a primeira pessoa do plural recebe maior destaque.

Sujeito expresso exige flexão: quando o infinitivo possui sujeito lexical claramente escrito, a concordância deixa de ser apenas estilística: é necessário os candidatos estudarem; o fiscal pediu para nós aguardarmos.

Não use a flexão para duplicar a concordância dentro de uma locução. Em “os servidores devem comparecer”, o auxiliar devem já traz pessoa e número. A forma devem comparecerem é inadequada.

Locuções que alteram o aspecto da ação

O verbo auxiliar não indica apenas tempo e pessoa. Ele pode acrescentar início, continuidade, repetição, obrigação, possibilidade ou resultado. Compare: começou a estudar marca início; continua estudando indica continuidade; deve estudar sugere obrigação; pode estudar apresenta possibilidade; acabou de estudar indica conclusão recente.

INÍCIOcomeçou a estudar
CONTINUIDADEcontinua estudando
CONCLUSÃOacabou de estudar

Tempo composto não é sinônimo de qualquer locução. Em sentido estrito, os tempos compostos usam ter ou haver acompanhados de particípio. “Está estudando” é locução verbal progressiva, mas não é um tempo composto formado com ter ou haver.

7

Enfrente verbos irregulares sem decorar tudo

Nível avançado: use famílias, formas primitivas e alertas de uso.

Macete das famílias
O verbo derivado costuma seguir o verbo primitivo: manter segue ter; intervir segue vir; propor segue pôr; prever segue ver.
PrimitivoDerivadoForma corretaErro comum
termanterse ele mantiverse ele manter
virintervirquando ele intervierquando ele intervir
pôrproporse ele propuserse ele propor
verpreverquando ele previrquando ele prever

Formas rizotônicas e arrizotônicas

Macete da sílaba forte
RIZOtônica: força no RIZO, isto é, no radical. Arrizotônica: força fora do radical.

Rizotônica

A sílaba tônica cai no radical.

CANto, VENdo, PARto.

Arrizotônica

A sílaba tônica cai depois do radical.

cantAmos, vendEis, partirEI.

A distinção ajuda a entender por que algumas formas apresentam mudanças de som, de escrita ou de radical. Diversas irregularidades aparecem nas formas rizotônicas, nas quais a sílaba tônica recai no radical. Ela também é útil para estudar verbos defectivos, pois, nesses verbos, quase sempre faltam justamente formas rizotônicas.

FormaTipoSílaba tônica
cantorizotônicacan
cantamosarrizotônicata
vendorizotônicaven
vendereisarrizotônicareis

Nas questões, essa classificação costuma aparecer ligada à pronúncia, à alternância vocálica e à conjugação de verbos irregulares ou defectivos. Observe a posição da sílaba forte, e não apenas a presença de acento gráfico: uma forma pode ser rizotônica sem receber acento escrito. Em canto, por exemplo, a força recai em can, embora não exista sinal gráfico.

Aplicação prática: ao comparar formas de um mesmo verbo, marque o radical e leia em voz baixa. Se a sílaba forte estiver dentro dele, a forma é rizotônica; se estiver na terminação, é arrizotônica. O teste ajuda a compreender por que determinados verbos alteram o som do radical apenas em algumas pessoas.

Regular, irregular, anômalo, defectivo e abundante

REGULARSegue o modelo e conserva o radical: cantar, vender, partir.
IRREGULARAltera radical ou flexão: fazer → faço/fiz; dizer → digo/disse.
ANÔMALOApresenta radicais muito diferentes: ser → sou/era/fui; ir → vou/ia/fui.

Defectivo

Não apresenta todas as formas em determinado paradigma.

Exemplos tradicionalmente discutidos: reaver e precaver-se.

Abundante

Possui mais de uma forma de igual função, principalmente no particípio.

aceitado/aceito, imprimido/impresso, pagado/pago.

A classificação de alguns defectivos mudou com o uso. Verbos que gramáticas antigas apresentavam como incompletos passaram a ser conjugados integralmente. Em concurso, observe a gramática indicada, a norma vigente e a forma efetivamente cobrada pela banca.

Particípios que derrubam candidatos

Alerta do “trago”
“Trago” é presente do verbo trazer. O particípio é “trazido”: eu trago; eu tinha trazido.

Com particípios abundantes, a tradição escolar recomenda a forma regular com ter e havertinha aceitado — e a irregular com ser e estarfoi aceito. O uso contemporâneo admite variação em diversos verbos, por isso a questão deve ser julgada no contexto e conforme o padrão da banca.

Não confunda irregularidade com erro ortográfico. Faço, fiz, coube e disse são formas legítimas de verbos irregulares. A irregularidade pertence ao sistema verbal; não é um desvio da norma.

O pretérito perfeito revela a família irregular

Quando houver dúvida sobre o futuro do subjuntivo, recupere a forma do pretérito perfeito. De eles fizeram surge quando eu fizer; de eles trouxeram, quando eu trouxer; de eles puderam, quando eu puder; de eles couberam, quando eu couber.

fizeram → fizer trouxeram → trouxer puderam → puder couberam → couber

Não invente formas inexistentes

Quando um verbo não apresenta determinada forma no paradigma adotado, a solução segura é empregar um sinônimo. Em vez de forçar uma conjugação duvidosa de precaver-se, use acautelar-se; quando houver dúvida com reaver, uma alternativa possível é recuperar. Esse procedimento aparece nas gramáticas justamente para preencher lacunas de verbos defectivos.

Cuidado com listas antigas: não transforme relações tradicionais de verbos defectivos em verdades eternas. O uso amplia paradigmas, e várias formas antes rejeitadas passaram a ser registradas. Em prova, observe a norma adotada pela banca e analise o paradigma efetivamente cobrado.

8

Transforme as vozes verbais

Nível avançado: preserve o sentido, o tempo e o modo durante a reescrita.

VOZ ATIVAO sujeito pratica a ação.
O tribunal publicou o edital.
VOZ PASSIVAO sujeito sofre a ação.
O edital foi publicado pelo tribunal.
REFLEXIVA/RECÍPROCAO sujeito age sobre si ou os sujeitos agem entre si.
Ela se feriu. Eles se cumprimentaram.
Ativa → passiva analítica
Objeto direto vira sujeito paciente; SER conserva tempo e modo; verbo principal vai ao particípio.
AtivaO tribunal publicou o edital.
PassivaO edital foi publicado pelo tribunal.
ConferênciaPretérito perfeito preservado.

Passiva analítica e passiva sintética

Analítica

As vagas foram divulgadas.

Na transposição canônica, usa-se ser + particípio; estar e ficar também podem formar construções passivas.

Sintética

Divulgaram-se as vagas.

Verbo transitivo direto + pronome apassivador.

Macete do SE
Se o verbo aceita objeto direto e o termo depois pode virar sujeito, o “se” pode ser apassivador.
FraseTipoTeste
Vendem-se casas.passiva sintéticaCasas são vendidas.
Precisa-se de servidores.sujeito indeterminadoO verbo exige “de”; não há objeto direto para virar sujeito.
Publicou-se o resultado.passiva sintéticaO resultado foi publicado.

Nem todo “se” forma passiva. Ele também pode ser pronome reflexivo, recíproco, parte integrante do verbo, índice de indeterminação do sujeito, conjunção ou partícula de realce.

Limite da transformação: em geral, somente verbos transitivos diretos ou diretos e indiretos formam voz passiva, porque o objeto direto da ativa precisa tornar-se sujeito paciente. Verbos transitivos indiretos não fornecem esse termo.

Ter objeto direto é uma condição importante, mas a transformação também precisa produzir uma construção semanticamente natural. Verbos impessoais não admitem a transposição porque não possuem sujeito agente. Nos demais casos, verifique se existe um termo paciente que possa tornar-se sujeito e se a passagem preserva o sentido da oração. Não transforme essa orientação em uma lista absoluta de verbos proibidos.

Ser, estar e ficar na passiva

SER + PARTICÍPIODestaca o acontecimento ou a ação.
A prova foi corrigida.
ESTAR + PARTICÍPIODestaca o estado resultante.
O assunto está resolvido.
FICAR + PARTICÍPIODestaca mudança ou permanência de estado.
O trânsito ficou prejudicado.

Na transformação escolar da ativa para a passiva, o verbo ser é o auxiliar mais usado porque permite preservar com clareza o tempo e o modo: publicou → foi publicado; publicará → será publicado; publicasse → fosse publicado. As construções com estar e ficar também podem apresentar sentido passivo, mas frequentemente realçam o estado resultante da ação.

Preserve quatro elementos na transformação

  • O objeto direto da ativa vira sujeito paciente.
  • O tempo e o modo passam para o verbo “ser”.
  • O verbo principal vai ao particípio e concorda com o novo sujeito.
  • O sujeito da ativa pode aparecer como agente da passiva.

Reflexiva

A candidata se elogiou.

Ela pratica e recebe a ação.

Recíproca

Os candidatos se cumprimentaram.

Um pratica a ação sobre o outro.

Teste da reciprocidade
Se é possível acrescentar “um ao outro”, a voz tende a ser recíproca; se a ação volta para o próprio sujeito, é reflexiva.
9

Evite as pegadinhas clássicas de verbos

Nível avançado: impessoalidade, formas parecidas, aspecto e acentuação.

Haver e fazer impessoais

HAVER = existir ou ocorrer

Havia muitos candidatos.

Deve haver recursos disponíveis.

FAZER = tempo ou clima

Faz dois anos que estudo.

Vai fazer dez dias de chuva.

Macete da impessoalidade
Se “haver” significa existir ou “fazer” indica tempo/clima, deixe toda a locução no singular.

VIR ou VER?

Quando eu VIER
verbo VIR
×
Quando eu VIR
verbo VER

Vier é futuro do subjuntivo de vir: “quando eu vier à cidade”. Vir é futuro do subjuntivo de ver: “quando eu vir o resultado”. Os derivados seguem a família: quando eu intervier; quando eu previr.

Acentos que revelam tempo e número

FormaLeituraExemplo
podepresenteHoje ele pode estudar.
pôdepretérito perfeitoOntem ele pôde estudar.
tem / vemsingularEle tem; ele vem.
têm / vêmpluralEles têm; eles vêm.
mantém / intervémsingular dos derivadosEle mantém; ele intervém.
mantêm / intervêmplural dos derivadosEles mantêm; eles intervêm.

Aspecto: a forma mostra como a ação se desenvolve

CONCLUÍDAEle estudou o conteúdo.
EM PROGRESSOEle está estudando.
REPETIDA/CONTINUADAEle tem estudado diariamente.

Trocar a forma pode manter o tempo aproximado e alterar o aspecto. “Estudou”, “estava estudando” e “tem estudado” não apresentam o processo da mesma maneira. Questões de reescrita cobram essa diferença.

Existir não é impessoal

O verbo haver, com sentido de existir, permanece no singular: havia vagas. O verbo existir, porém, possui sujeito e concorda normalmente: existiam vagas. A substituição exige ajuste de concordância.

Havia problemas.
haver impessoal
Existiam problemas.
existir concorda com o sujeito

Tem e vem: observe os derivados

Nos verbos simples, o singular não recebe acento: ele tem, ele vem. O plural recebe circunflexo: eles têm, eles vêm. Nos derivados, o singular recebe agudo — ele mantém, ele intervém — e o plural recebe circunflexo — eles mantêm, eles intervêm.

Macete dos acentos
Verbo simples: singular sem acento, plural com circunflexo. Derivado: singular com agudo, plural com circunflexo.
10

Aplique o fluxograma na prova

Nível final: identifique, classifique, compare e só então julgue a alternativa.

1. LocalizeQual é a forma verbal ou locução?
2. IdentifiquePessoa, número, tempo e modo.
3. ObserveHá auxiliar, particípio ou “se”?
4. CompareA correlação temporal é lógica?
5. TesteO derivado segue ter, vir, pôr ou ver?
6. ConcluaA reescrita preserva tempo, modo, voz e sentido?

Questão real 1 — pretérito imperfeito

Cebraspe · Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim/ES · Auditor Fiscal · 2024

Item resumido: as formas “vinha”, “apertava” e “avisava” expressam ações realizadas repetidamente por um homem em tempo passado.

Gabarito: certo. As formas estão no pretérito imperfeito do indicativo e, no contexto, apresentam ações habituais ou repetidas no passado. O macete AVA/IA/NHA/ERA permite reconhecer rapidamente o tempo.

Questão real 2 — valor do presente

Cebraspe · CAPES · Analista em Ciência e Tecnologia · 2024

Item resumido: o presente do indicativo empregado no texto indicaria necessariamente ações iniciadas no passado e ainda mantidas no momento atual.

Gabarito: errado. O presente pode indicar ação atual, habitual, verdade geral, presente histórico ou até futuro programado. A ideia de início no passado e continuidade até o presente não decorre automaticamente do tempo verbal; depende do contexto e de marcas aspectuais.

Resumo de memorização

  • Indicativo afirma; subjuntivo imagina; imperativo orienta.
  • QUE, SE e QUANDO ajudam a formar o subjuntivo.
  • Perfeito conclui; imperfeito mostra hábito, duração ou cenário.
  • AVA, IA, NHA e ERA apontam para o imperfeito.
  • Fizeram gera fizesse e fizer.
  • Na locução, o auxiliar recebe a flexão.
  • Derivado segue o primitivo: manter, intervir, propor, prever.
  • Na passiva, preserve tempo e modo.
  • Haver existencial e fazer temporal permanecem no singular.
  • Vier vem de vir; vir pode vir de ver.
Estratégia final
Não conjugue de memória antes de descobrir a família, o tempo e o modo. A forma correta quase sempre nasce de outra forma que você já conhece.

Erros que mais eliminam alternativas

Quebra de correlação

Se ele estudasse, passará.

Os tempos não combinam sem contexto especial.

Flexão no verbo principal

Devem existirem vagas.

Na locução, a flexão pertence ao auxiliar.

Derivado fora da família

Quando ele intervir.

O futuro correto é intervier, seguindo vier.

Passiva com verbo indireto

“Precisa-se de servidores” não equivale a “servidores são precisados”.

O “se” indetermina o sujeito.

Revisão em três voltas

  1. Primeira volta: modos, tempos e marcas principais — indicativo, subjuntivo, imperativo, AVA/IA e -ria.
  2. Segunda volta: formas nominais, locuções, tempos compostos e famílias irregulares.
  3. Terceira volta: vozes, impessoalidade, correlação e questões reais.

Caderno de erros: anote o motivo do erro, não somente a alternativa correta. Marque se a dificuldade foi tempo, modo, correlação, família irregular, locução, voz ou impessoalidade. Essa classificação mostra qual macete precisa de nova revisão.

Combine estes macetes com o Mapa Mental de Verbos, o guia Como Estudar Verbos para Concursos Públicos e os simulados de Língua Portuguesa. O mapa serve para revisão rápida; o guia aprofunda a teoria; os simulados mostram como as bancas transformam flexão, correlação e voz verbal em alternativas.

Perguntas rápidas sobre verbos em concursos

Qual é a diferença entre tempo e modo verbal?

O tempo situa o processo em relação ao momento da fala; o modo indica a atitude do falante, como certeza, hipótese, desejo, ordem ou conselho.

Como reconhecer o pretérito imperfeito?

Nos verbos regulares, procure principalmente as marcas “-ava” na primeira conjugação e “-ia” na segunda e na terceira. Formas como “tinha” e “era” também aparecem com frequência nesse tempo.

Como formar o futuro do subjuntivo de um verbo irregular?

Use a terceira pessoa do plural do pretérito perfeito e retire “-am”: fizeram → fizer; tiveram → tiver; vieram → vier.

Qual verbo deve ser flexionado em uma locução verbal?

Normalmente, o auxiliar recebe as flexões de pessoa, número, tempo e modo; o verbo principal permanece no infinitivo, gerúndio ou particípio. Verbos impessoais, porém, mantêm a locução no singular.

Todo verbo com “se” está na voz passiva?

Não. O “se” pode exercer várias funções. Na passiva sintética, o verbo precisa admitir objeto direto e o termo paciente pode ser transformado em sujeito da passiva analítica.

Qual é a diferença entre “quando eu vier” e “quando eu vir”?

“Vier” pertence ao verbo vir; “vir” pode ser o futuro do subjuntivo do verbo ver. Exemplos: quando eu vier à cidade; quando eu vir o resultado.

“Devem haver candidatos” está correto?

Não, quando “haver” significa existir. Nesse uso, o verbo é impessoal e mantém toda a locução no singular: deve haver candidatos.

Revise e aplique os macetes

Reconhecer a forma é o primeiro passo; acertar questões exige comparar tempo, modo, voz e sentido dentro do contexto.

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