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Macetes de Pronomes para Concursos com Regras e Exemplos

Macetes de Pronomes para Concursos com Regras e Exemplos

Aprenda a reconhecer referentes, escolher formas pessoais, empregar relativos e dominar a colocação pronominal nas questões mais frequentes.

RETOMEdescubra quem ou o que o pronome representa
CLASSIFIQUEidentifique tipo e função sintática
CONFIRArevise regência, concordância e posição

Pronome é a classe que representa, retoma, acompanha ou localiza seres e ideias dentro do discurso. Em concurso, a banca raramente cobra apenas uma lista. Ela destaca uma forma como que, se, lhe, este ou seu e pergunta a que termo se refere, qual função exerce, se a substituição é possível e se a frase permanece correta. O roteiro mais seguro é: referente → classificação → função → regência → colocação.

1

Entenda o papel dos pronomes

Nível básico: descubra o referente e diferencie pronome substantivo de pronome adjetivo.

Macete inicial
Pronome sempre aponta para algo: uma pessoa do discurso, um nome já citado, uma ideia futura ou um ser indefinido.

Os pronomes formam uma classe variável em muitos de seus representantes e cumprem funções de referência. Podem indicar as pessoas do discurso, expressar posse, localizar elementos, retomar antecedentes, formular perguntas ou apresentar seres de maneira vaga. Por isso, uma mesma questão de pronomes pode envolver morfologia, sintaxe, regência, concordância, crase, coesão e interpretação.

A candidata recebeu o resultado.
Ela comemorou a aprovação.

No exemplo, ela evita a repetição de a candidata. Essa retomada é chamada de referência anafórica, pois o pronome aponta para um elemento mencionado anteriormente. Também existe referência catafórica, quando o pronome anuncia algo que ainda será apresentado: “Só desejo isto: sua aprovação”.

Anáforaretoma o que já apareceu
Catáforaanuncia o que virá
Dêixisaponta para a situação de fala

Nem todo pronome substitui um nome escrito. Em “eu concordo”, eu identifica quem fala sem retomar substantivo anterior. Em “este documento”, o demonstrativo acompanha o nome e o localiza. Em “ninguém respondeu”, o indefinido ocupa sozinho o núcleo do sujeito. Por isso, a definição mais completa inclui representação, acompanhamento, localização e retomada.

Pronome substantivo e pronome adjetivo

Pronome substantivo

Alguém chamou.

O pronome ocupa o núcleo e não acompanha um substantivo expresso.

Pronome adjetivo

Meu material chegou.

O pronome acompanha e determina o substantivo material.

FraseForma destacadaFunção morfológica
Este é o edital correto.estepronome substantivo
Este edital é o correto.estepronome adjetivo
Muitos desistiram.muitospronome substantivo
Muitos candidatos desistiram.muitospronome adjetivo

A aparência não basta. A palavra muito pode ser pronome indefinido — “muitos candidatos” — ou advérbio — “estudou muito”. Observe se quantifica um substantivo ou intensifica um verbo, adjetivo ou advérbio.

Sete blocos de estudo

pessoaistratamentopossessivosdemonstrativosindefinidosinterrogativosrelativos

Esses blocos organizam o estudo, mas a banca costuma misturá-los no mesmo período. Na classificação de Bechara, as formas de tratamento são estudadas ao lado dos pronomes pessoais; aqui aparecem em bloco próprio apenas por organização didática. O pronome que, por exemplo, pode ser relativo ou interrogativo; a palavra o pode ser artigo, pronome pessoal oblíquo ou demonstrativo; se pode ser pronome reflexivo, partícula apassivadora, índice de indeterminação ou conjunção. A análise contextual é obrigatória.

Regra de ouro: antes de classificar, descubra o termo retomado e a função exercida. Um pronome não perde sua classe por funcionar como sujeito, objeto ou adjunto; morfologia e sintaxe descrevem aspectos diferentes.

Para aprofundar a teoria geral, consulte Como Estudar Pronomes para Concursos Públicos. Use este material para transformar as regras em testes rápidos de prova.

2

Use os pronomes pessoais retos e oblíquos

Nível básico-intermediário: separe sujeito, complemento e forma preposicionada.

1ª pessoaquem fala
eu / nós
2ª pessoacom quem se fala
tu / vós
3ª pessoade quem se fala
ele / ela / eles / elas
Macete reto × oblíquo
Pronome reto tende a ser sujeito; pronome oblíquo tende a ser complemento.
PessoaRetoOblíquo átonoOblíquo tônico
1ª singulareumemim, comigo
2ª singulartuteti, contigo
3ª singularele, elao, a, lhe, seele, ela, si, consigo
1ª pluralnósnosnós, conosco
2ª pluralvósvosvós, convosco
3ª pluraleles, elasos, as, lhes, seeles, elas, si, consigo

EU pratica; MIM recebe

EU praticasujeito do verbo
MIM recebeforma preposicionada
PREPMIMPreposiçãopede forma oblíqua tônica
PARA EU FAZER
eu é sujeito do infinitivo fazer.
×
PARA MIM
mim completa a preposição e não pratica ação.

Em “o fiscal trouxe o documento para eu assinar”, o pronome pratica a ação de assinar e funciona como sujeito do infinitivo. Em “o fiscal trouxe o documento para mim”, não existe verbo após o pronome; a forma preposicionada funciona como complemento.

Não aplique “mim não faz nada” mecanicamente. Em “é difícil para mim estudar à noite”, o sujeito de estudar pode ser interpretado como genérico, e para mim indica a pessoa para quem a atividade é difícil. Já em “trouxeram o formulário para eu preencher”, o pronome é sujeito claro de preencher.

Entre mim e ti

Depois de preposição, use formas oblíquas tônicas: “entre mim e ti”, “sem mim”, “para ele”, “de nós”. A construção “entre eu e você” não segue a norma-padrão porque eu não exerce função de sujeito.

Com nós e com vós. As formas conosco e convosco são as usuais. Empregam-se com nós e com vós quando há palavra que destaca ou especifica o grupo: “com nós mesmos”, “com todos vós”, “com nós três”.

Ele e ela como objeto direto

Na linguagem coloquial brasileira, são frequentes frases como “vi ela” e “chamei ele”. Em questões de norma-padrão, prefira os pronomes oblíquos átonos: “vi-a” e “chamei-o”. As formas retas podem aparecer depois de preposição — “falei com ela” — ou como predicativo — “o responsável é ele”.

Causativos e sensitivos. Depois de verbos como mandar, deixar, fazer, ver, ouvir e sentir, um pronome oblíquo pode completar o primeiro verbo e, ao mesmo tempo, representar quem pratica o infinitivo: “o fiscal mandou-me entrar” e “eu a ouvi cantar”. Esse caso específico não autoriza construções como “para mim fazer”.

Teste sintático
Quem pratica o verbo? Use o reto. Quem recebe ou completa o verbo? Verifique a forma oblíqua exigida.
3

Diferencie O, A, LHE e SE

Nível intermediário: escolha o pronome pela transitividade e reconheça reflexividade e reciprocidade.

Macete OD × OI
O, A, OS, AS substituem objeto direto; LHE e LHES substituem, em regra, objeto indireto regido pela preposição A.
Frase originalFunçãoSubstituição
Encontrei o candidato.objeto diretoEncontrei-o.
Convidei as servidoras.objeto diretoConvidei-as.
Entreguei o recurso ao advogado.objeto indiretoEntreguei-lhe o recurso.
Informei o resultado aos candidatos.objeto indiretoInformei-lhes o resultado.

LHE não substitui automaticamente “ele”. Em “vi o candidato”, o termo é objeto direto: “vi-o”, e não “vi-lhe”. O pronome também pode retomar coisa quando a regência permite: “obedeci ao regulamento” pode ser reescrito como “obedeci-lhe” ou “obedeci a ele”. O que decide é a função de objeto indireto, não o traço humano do referente.

R, S, Z chamam L; som nasal chama N

ODO/ADiretosem preposição obrigatória
OIALHEIndiretoregido normalmente por A
SEReflexivoa ação retorna ao sujeito
Verbo termina em R, S ou Zperde a consoante e recebe lo, la, los, las
fazer + o → fazê-lo
Verbo termina em som nasalrecebe no, na, nos, nas
fizeram + o → fizeram-no
Verbo termina em vogal oralmantém o, a, os, as
vi + a → vi-a

Também há ajuste de acentuação quando a retirada de r, s ou z altera a estrutura: conhecer + o → conhecê-lo; fiz + o → fi-lo; quisemos + o → quisemo-lo. A banca pode misturar emprego pronominal e acentuação gráfica na mesma alternativa.

SE reflexivo, recíproco e outras funções

Reflexivo

A candidata se elogiou.

A ação volta para o próprio sujeito: elogiou a si mesma.

Recíproco

Os candidatos se cumprimentaram.

Um cumprimentou o outro.

O contexto define a leitura. “Os irmãos se feriram” pode indicar que cada um feriu a si mesmo ou que um feriu o outro. Expressões como a si mesmos e um ao outro eliminam a ambiguidade.

Nem todo SE é reflexivo

UsoExemploTeste principal
ReflexivoA candidata se elogiou.a si mesma
RecíprocoOs colegas se ajudaram.um ao outro
Partícula apassivadoraPublicaram-se os resultados.os resultados foram publicados; o verbo concorda
Índice de indeterminaçãoPrecisa-se de revisores.verbo no singular e complemento preposicionado
Parte integrante do verboEla se arrependeu.o verbo é pronominal: arrepender-se
ConjunçãoNão sei se haverá recurso.introduz uma oração e não retoma participante

Na passiva pronominal, há sujeito expresso e concordância: “publicou-se o resultado” e “publicaram-se os resultados”. Com índice de indeterminação, o verbo permanece na terceira pessoa do singular: “precisa-se de revisores”. A transitividade e a possibilidade de transformação para a passiva analítica ajudam a distinguir os dois casos.

Si e consigo são reflexivos. Devem retomar o sujeito da própria oração: “o candidato levou consigo os documentos”. Para referência a outra pessoa, use “com ele”, “com ela”, “com eles” ou “com elas”.

Possessivo de terceira pessoa com LHE

Em certos contextos, lhe pode indicar posse e funcionar como adjunto adnominal: “beijei-lhe as mãos” equivale a “beijei as mãos dele/dela”. Esse uso aparece especialmente com partes do corpo, objetos pessoais e relações próximas.

Pergunta decisiva
O verbo pede algo sem preposição? Use O/A. Pede A alguém? Considere LHE. A ação volta ao sujeito? Analise SE.
4

Domine os pronomes de tratamento

Nível intermediário: mantenha a terceira pessoa e diferencie Vossa de Sua.

Macete da terceira pessoa
Você, o senhor, a senhora e Vossa Excelência dirigem-se ao interlocutor, mas exigem terceira pessoa; a gente tem sentido de nós e também leva verbo no singular.
FormaConcordância corretaUso
vocêvocê estudatratamento comum
o senhor / a senhoraa senhora desejatratamento respeitoso
Vossa ExcelênciaVossa Excelência decidiráautoridade a quem se fala
a gentea gente estudavalor de nós, registro menos formal

Não misture pessoas. “Você deves revisar teu texto” combina tratamento de terceira pessoa com formas de segunda. Em registro formal, mantenha a uniformidade: “você deve revisar seu texto” ou “tu deves revisar teu texto”.

Vossa fala com; Sua fala de

Vossafala diretamente com a autoridade
Suafala sobre a autoridade
3ª PESSOAConcordânciaverbo sempre na terceira pessoa
VOSSA EXCELÊNCIA
quando se dirige diretamente à autoridade
×
SUA EXCELÊNCIA
quando menciona a autoridade a outra pessoa

Exemplo direto: “Vossa Excelência poderá analisar o pedido”. Exemplo indireto: “Sua Excelência analisará o pedido amanhã”. A concordância permanece na terceira pessoa em ambos os casos.

A gente × nós

A gente pode equivaler semanticamente a nós, mas o verbo fica no singular: “a gente vai”, “a gente estudou”. Em redação administrativa e textos de maior formalidade, nós costuma ser a opção mais adequada. A banca pode cobrar tanto concordância quanto adequação de registro.

Gente nem sempre é pronome. Em “havia muita gente na fila”, o substantivo conserva o sentido de conjunto de pessoas. Em “a gente precisa revisar”, a expressão funciona como forma pronominal.

Vós e vocês

Vós pertence à segunda pessoa do plural e exige concordância própria: “vós estudais”. Vocês é forma de tratamento e exige terceira pessoa: “vocês estudam”. Em questões de correspondência oficial, o importante é observar a uniformidade e o destinatário indicado.

Adjetivos concordam com o sexo da pessoa. Uma autoridade do sexo feminino pode ouvir “Vossa Excelência está satisfeita”; a forma de tratamento determina a terceira pessoa verbal, mas o adjetivo acompanha o gênero do referente.

Pronomes que acompanham o tratamento

A terceira pessoa também orienta os possessivos e os oblíquos relacionados ao interlocutor: “Vossa Excelência apresentará seu parecer” e “encaminho-lhe o documento”. Misturas como “Vossa Excelência apresentareis vosso parecer” quebram a uniformidade. Em textos oficiais, a revisão deve abranger verbo, possessivo, pronome oblíquo e adjetivo, não apenas a forma de tratamento.

5

Evite ambiguidades nos pronomes possessivos

Nível intermediário-avançado: identifique o possuidor, a concordância e os efeitos de posição.

meu / minhateu / tuaseu / suanosso / nossavosso / vossa
Macete da concordância
O possessivo concorda com a coisa possuída, não com o possuidor.

Em “as candidatas entregaram seus recursos”, o pronome fica no masculino plural porque acompanha recursos, embora as possuidoras sejam femininas. Em “o servidor apresentou sua defesa”, sua concorda com defesa.

Seu e sua podem criar ambiguidade

O problema aumenta quando há várias pessoas no mesmo período. “A diretora disse à candidata que seu recurso seria analisado” pode apontar para o recurso da diretora ou da candidata. A reescrita “o recurso da candidata” elimina a dúvida. Em questões de coesão, a banca pode considerar inadequado um possessivo cuja referência não seja recuperável com segurança.

FRASE AMBÍGUAJoão informou Pedro sobre seu resultado.
REESCRITA CLARAJoão informou Pedro sobre o resultado de Pedro.

O possessivo de terceira pessoa pode retomar o sujeito, o interlocutor ou outro termo do contexto. Quando houver risco de dupla leitura, substitua por dele, dela, deles ou delas, ou repita o nome. A clareza textual é mais importante que evitar repetição a qualquer custo.

“Dele” indica posse, mas não é pronome possessivo na classificação morfológica. Trata-se da preposição de contraída com o pronome pessoal ele. A expressão pode desempenhar valor possessivo no contexto.

A posição pode mudar o sentido

ConstruçãoLeitura predominante
Meu filho não faria isso.referência a um filho determinado
Filho meu não faria isso.ênfase expressiva: nenhum filho meu
Um meu amigo ligou.um amigo entre os que tenho
A opinião é minha.pronome substantivo, com nome implícito

Artigo antes do possessivo

Em grande parte do português brasileiro, o artigo antes do possessivo é facultativo: “meu livro” ou “o meu livro”. A escolha pode variar conforme a região, o estilo e a estrutura da frase. Quando há preposição, a presença do artigo pode gerar contração e até crase: “refiro-me à minha inscrição” ou, conforme o padrão adotado, “refiro-me a minha inscrição”.

Possessivo não garante referente claro. Em coesão textual, procure no contexto qual termo pode assumir a posse e verifique se número, gênero e sentido sustentam a retomada.

Roteiro do possessivo
Pergunte: o que é possuído? Quem é o possuidor? Há mais de um antecedente possível?
6

Use os demonstrativos na coesão

Nível avançado: localize elementos no espaço, no tempo e no próprio texto.

ESTE / ESTA / ISTOperto de quem fala; tempo presente; ideia que será apresentada
ESSE / ESSA / ISSOperto de quem ouve; passado ou futuro próximo; ideia já mencionada
AQUELE / AQUELA / AQUILOlonge dos interlocutores; tempo distante; referente mais remoto
Esteperto de quem fala
Esseperto de quem ouve
Aqueledistante de ambos

Espaço e tempo

ReferênciaExemploValor
perto do falanteEste livro aqui é meu.1ª pessoa
perto do ouvinteEsse livro aí é seu.2ª pessoa
longe de ambosAquele prédio lá é o tribunal.3ª pessoa
tempo presenteEste ano exige disciplina.momento atual
tempo remotoNaquela época, não havia prova digital.passado distante

Uso real e norma de prova. Na língua contemporânea, especialmente no português brasileiro, este e esse frequentemente se alternam sem a separação rígida ensinada nos quadros tradicionais. Em questões que cobram coesão formal, porém, a banca costuma esperar a distinção entre anúncio e retomada. Siga o contexto e a terminologia do enunciado.

Este anuncia; esse retoma

Catáfora

Só desejo isto: ser aprovado.

O pronome anuncia a informação seguinte.

Anáfora

Ser aprovado exige constância. Isso é evidente.

O pronome retoma a informação anterior.

Dois termos: este é o mais próximo; aquele, o mais distante

Em “Português e Informática exigem prática; esta cobra familiaridade com ferramentas, e aquele, leitura atenta”, esta retoma o termo mais próximo, Informática, e aquele retoma o mais distante, Português. Esse recurso é muito cobrado em coesão referencial.

Não use essa regra com três ou mais referentes sem verificar a clareza. A oposição este × aquele funciona melhor quando há exatamente dois termos. Com uma lista extensa, repetir os nomes pode ser mais seguro.

O, A, OS, AS como demonstrativos

Antes de que ou de uma expressão preposicionada, o, a, os e as podem equivaler a aquilo, aquele ou aquela: “faça o que puder” = “faça aquilo que puder”; “as regras são iguais às do edital” = “iguais àquelas do edital”.

Mesmo, próprio, tal e semelhante

Mesmo e próprio podem reforçar pronomes pessoais: “ela mesma conferiu”; “nós próprios revisamos”. Devem concordar com o referente. Tal e semelhante assumem valor demonstrativo quando equivalem a “esse” ou “aquele”: “tal conduta não será aceita”; “semelhante erro deve ser evitado”.

“Mesmo” não deve substituir pronome pessoal por simples formalidade. Em texto claro, prefira “o servidor apresentou o recurso e ele foi analisado”, evitando construções burocráticas como “o mesmo foi analisado” quando não houver necessidade estilística.

7

Reconheça indefinidos e interrogativos

Nível avançado: observe quantidade vaga, mudança de classe e perguntas diretas ou indiretas.

alguémninguémtudonadaalgooutremalgumnenhumtodoqualquercertobastante

Os indefinidos se referem à terceira pessoa de maneira vaga ou expressam quantidade indeterminada. Apesar do sentido impreciso, podem exercer funções sintáticas bem definidas: “alguém entrou” possui sujeito expresso; “vi alguns” apresenta objeto direto; “muitos candidatos chegaram” contém pronome adjetivo como adjunto adnominal.

Pronome indefinido não cria sujeito indeterminado automaticamente. Em “ninguém respondeu”, o sujeito é simples e está expresso pelo pronome ninguém.

Bastante: vários ou muito?

PRONOME
Havia bastantes questões.
Pode trocar por “várias”.
×
ADVÉRBIO
Estudou bastante.
Pode trocar por “muito”.

Quando acompanha substantivo e indica quantidade, bastante varia: “bastantes candidatos”. Quando intensifica verbo, adjetivo ou advérbio, permanece invariável: “estudaram bastante”; “provas bastante difíceis”.

A posição muda o sentido

ConstruçãoSentido
Alguma pessoa respondeu.ao menos uma pessoa
Pessoa alguma respondeu.nenhuma pessoa
Certa pessoa ligou.uma pessoa não identificada
A pessoa certa ligou.a pessoa adequada ou correta

Todo × todo o

Em muitos contextos, todo sem artigo indica cada elemento ou qualquer elemento: “todo candidato deve apresentar documento”. Com artigo, pode indicar totalidade integral: “todo o conteúdo foi revisado”. O contexto e o número ajudam a interpretar: “todos os candidatos” refere-se ao conjunto completo.

Qualquer tem plural irregular: quaisquer. A forma acompanha o substantivo: “qualquer questão”, “quaisquer questões”. O sentido pode ser indefinido ou depreciativo conforme o contexto: “não é um candidato qualquer”.

Cada permanece invariável

Cada acompanha um substantivo ou outro elemento com valor distributivo: “cada candidato”, “cada um”, “a cada dia”. Não possui plural. A ideia é considerar os membros separadamente, embora todos pertençam ao mesmo conjunto. Em “cada candidato apresentou seu documento”, a concordância fica no singular porque a distribuição é feita elemento por elemento.

Interrogativos: QUE, QUEM, QUAL e QUANTO

Pergunta direta

Qual é a alternativa correta?

Termina com ponto de interrogação.

Pergunta indireta

Não sei qual é a alternativa correta.

A pergunta está inserida em outra oração.

O pronome interrogativo exerce função dentro da pergunta: “quem chegou?” — sujeito; “que deseja?” — objeto direto; “a quem se referiu?” — objeto indireto. Para diferenciar que interrogativo da conjunção integrante, transforme a oração em pergunta direta. “Não sei que assunto caiu” permite “que assunto caiu?”. Já “sei que o assunto caiu” não produz uma pergunta coerente sem retirar a conjunção.

8

Acerte os pronomes relativos

Nível avançado: retome antecedentes, respeite a regência e evite erros com cujo e onde.

QUEpessoas ou coisas
O QUALpessoas ou coisas
QUEMpessoas
CUJOposse
QUANTOapós tudo/tanto
ONDElugar — advérbio relativo em Bechara
Macete do relativo
Volte o pronome ao antecedente e pergunte qual função ele exerce dentro da oração que introduz.

O pronome relativo retoma um antecedente e introduz oração adjetiva. Diferentemente da conjunção integrante, exerce função sintática na oração: “o candidato que chegou” — que retoma candidato e funciona como sujeito de chegou.

O edital de que preciso
Preciso do edital

QUE e O QUAL

Que é invariável e pode retomar pessoa ou coisa. A tentativa de substituição por o qual, a qual, os quais, as quais ajuda a confirmar a função relativa, sobretudo nas construções preposicionadas: “a norma a que me referi” → “a norma à qual me referi”. Sem preposição, a troca pode ser gramatical, mas pouco natural em determinados contextos; use-a como teste de análise, não como regra mecânica de estilo.

O qual desfaz ambiguidades. Em “vi a irmã do servidor, a qual apresentou o recurso”, a flexão feminina indica que o antecedente é irmã. A concordância torna a retomada mais clara.

A preposição vem da regência

Verbo ou nomeRegênciaConstrução correta
precisarprecisar deo material de que preciso
referir-sereferir-se aa regra a que me refiro
confiarconfiar ema pessoa em quem confio
concordarconcordar coma tese com a qual concordo

O procedimento seguro é reconstruir a oração sem o relativo: “preciso do material”; logo, “o material de que preciso”. Se a preposição for a e o relativo admitir artigo, pode ocorrer crase: “a norma à qual me referi”.

Função do relativo dentro da oração

ExemploReconstruçãoFunção do relativo
O candidato que chegou.O candidato chegou.sujeito
O livro que li.Li o livro.objeto direto
A regra a que obedeci.Obedeci à regra.objeto indireto
A cidade onde moro.Moro na cidade.adjunto adverbial de lugar

Esse desdobramento resolve questões de regência e concordância. O relativo herda o antecedente, mas sua função nasce dentro da oração subordinada. Por isso, não basta olhar o termo anterior; é necessário descobrir o papel que ele desempenharia junto ao verbo ou nome seguinte.

QUEM e a preposição

Nas construções relativas mais comuns com antecedente nominal expresso, quem retoma pessoas ou seres personificados e vem precedido de preposição: “a candidata a quem entreguei o documento”; “o professor com quem estudei”. A preposição corresponde à função exercida na oração.

Construções de identificação. Em frases como “fui eu quem fez” ou “fui eu quem fiz”, quem aparece sem preposição. A concordância pode ficar na terceira pessoa do singular ou acompanhar o antecedente. Sem antecedente nominal expresso, ocorre o relativo indefinido: “quem estuda aprende”.

CUJO: posse sem artigo

Macete do CUJO
CUJO liga possuidor + coisa possuída, concorda com o termo seguinte e não admite artigo depois dele.

Em “a candidata cujo recurso foi aceito”, candidata é o antecedente possuidor e recurso é o consequente possuído. O pronome concorda com recurso. São incorretas, na norma-padrão, construções como “cujo o recurso” e “cuja a inscrição”.

A preposição pode vir antes de cujo. “O servidor a cuja defesa me referi” está correto: o a é exigido por referir-se, e não há crase porque cuja não admite artigo.

ONDE, AONDE e DONDE

Onde equivale a “em que” e retoma lugar: “a cidade onde moro”. Aonde reúne a preposição a e indica destino quando a regência exige essa preposição: “a cidade aonde vou”. Donde equivale a “de onde”: “a cidade donde vim”. Evite onde com ideias abstratas como “situação onde” ou “processo onde”; prefira “situação em que” e “processo no qual”.

Diferença de nomenclatura: muitos materiais escolares agrupam onde entre os pronomes relativos. Bechara o classifica como advérbio relativo, porque retoma um antecedente de lugar e exerce função adverbial. Em prova, observe a terminologia da banca, mas preserve estes dois pontos: há retomada e há circunstância de lugar.

QUANTO

O relativo quanto costuma aparecer depois de tudo, tanto, todos ou todas: “fez tudo quanto podia”; “levou tantos documentos quantos conseguiu reunir”. A forma varia para concordar quando o antecedente permite.

9

Domine a colocação pronominal

Nível final: escolha entre próclise, ênclise e mesóclise sem aplicar regras absolutas.

PRÓCLISEpronome antes do verbo
Não me avisaram.
MESÓCLISEpronome no meio do futuro
Avisar-me-ão.
ÊNCLISEpronome depois do verbo
Avisaram-me.
MEVERBOPróclisepronome primeiro
MEMesóclisepronome no meio
VERBOMEÊnclisepronome encerra

Palavras atrativas da próclise

não / nunca / ninguémque / quem / cujose / embora / quandoalguém / tudo / todosonde / como / por queadvérbio sem pausa
GatilhoExemplo
negaçãoNão me informaram.
pronome relativoA norma que se publicou ontem entrou em vigor.
conjunção subordinativaQuando lhe entregaram a prova, começou a leitura.
indefinidoAlguém me chamou.
advérbio sem pausaSempre se prepara com antecedência.
interrogação/exclamaçãoQuem lhe contou? Como te enganaram!

Advérbio com pausa. Quando há vírgula ou pausa clara, a força atrativa pode desaparecer: “ontem, informaram-me o resultado”. Sem pausa, a próclise é a colocação esperada: “ontem me informaram o resultado”.

A atração depende de o elemento estar integrado à oração sem ruptura. Uma expressão intercalada não transporta automaticamente sua força para qualquer verbo posterior. Por isso, examine vírgulas, travessões e limites de oração antes de concluir que há próclise obrigatória.

Quando a ênclise aparece

A norma-padrão evita iniciar período com pronome átono: “Entregaram-me o documento”, e não “Me entregaram o documento” em questões de colocação tradicional. A ênclise também ocorre com imperativo afirmativo — “diga-me a verdade” —, gerúndio inicial — “aproximando-se, apresentou o documento” — e infinitivo impessoal em muitos contextos — “é necessário preparar-se”.

Português brasileiro real × norma de concurso. A próclise inicial é comum e legítima em muitos usos brasileiros, especialmente na fala. Quando a questão pede norma-padrão tradicional ou reescrita formal, siga os critérios de colocação cobrados pela banca.

Mesóclise: futuro sem palavra atrativa

Com futuro do presente ou futuro do pretérito, não se usa ênclise na norma tradicional. Sem atrator, emprega-se mesóclise: “informar-lhe-ei”, “entregar-me-iam”. Com atrator, usa-se próclise: “não lhe informarei”; “quem me entregaria o documento?”.

Não confunda futuro com infinitivo. “Vou informar-lhe” contém locução com infinitivo e admite ênclise ao verbo principal. “Informarei-lhe” é inadequado na norma tradicional; a forma seria “informar-lhe-ei” ou, com atrator, “não lhe informarei”.

Locuções verbais

EstruturaFormas possíveis sem atratorRestrição
auxiliar + infinitivoquero-lhe falar / quero lhe falar / quero falar-lhea banca pode privilegiar padrões mais tradicionais
auxiliar + gerúndioestou-lhe dizendo / estou lhe dizendo / estou dizendo-lheobserve palavra atrativa
auxiliar + particípiotenho-lhe falado / tenho lhe falado / lhe tenho faladojamais depois do particípio: “falado-lhe”

Com palavra atrativa antes da locução, a próclise ao auxiliar é a solução mais segura: “não lhe quero falar”; “nunca me tinham informado”. Na escrita brasileira, também é frequente o pronome antes do verbo principal sem hífen: “não quero lhe falar”. Analise o padrão exigido pelo enunciado.

Quando a locução contém particípio, o ponto realmente proibido é a ênclise ao particípio: “tinha informado-lhe” não pertence ao padrão formal. O pronome pode relacionar-se ao auxiliar ou aparecer antes dele conforme os fatores de atração. Em questões objetivas, procure primeiro as proibições absolutas; depois compare as variantes admitidas.

Em + gerúndio

A tradição fixa a próclise quando o gerúndio é precedido da preposição em: “em se tratando de recursos, leia o edital”. Sem a preposição, no início de oração reduzida, a ênclise é esperada: “tratando-se de recursos, leia o edital”.

Ordem de decisão
Há atrator? Próclise. É futuro sem atrator? Mesóclise. Não há atrator nem futuro? Verifique a ênclise e as regras da locução.
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Aplique o fluxograma na prova

Revisão final: resolva classificação, referência, substituição e colocação pelo mesmo roteiro.

1. Ache o pronomeQual forma foi destacada?
2. Ache o referenteQuem ou o que ele representa?
3. ClassifiquePessoal, relativo, demonstrativo?
4. Dê a funçãoSujeito, objeto, adjunto?
5. Confira a regênciaExiste preposição obrigatória?
6. Confira a posiçãoHá palavra atrativa ou futuro?

Questão real 1 — próclise sem palavra atrativa

Q2572401 · Cebraspe · BACEN · Analista — Economia e Finanças · 2024

Item resumido: em período iniciado por expressão adverbial isolada por vírgula, a banca perguntou se “verifica-se” poderia ser substituído por “se verifica” sem prejuízo da correção.

Gabarito: errado. A oração começa após vírgula e não há palavra atrativa diretamente ligada ao verbo. No padrão cobrado, a ênclise em “verifica-se” é adequada, enquanto a próclise proposta deixa o pronome iniciando a oração.

Questão real 2 — troca indevida entre O e LHE

Q2517153 · FGV · TCE-GO · Analista de Controle Externo — Ciências Contábeis · 2024

Enunciado resumido: a banca pediu a frase com erro na escolha entre o e lhe. A alternativa problemática empregava “seguir-lhe” com o sentido de seguir uma pessoa.

Gabarito: alternativa D. Nesse uso, seguir é transitivo direto: quem segue, segue alguém. A forma adequada é “segui-lo”, não “seguir-lhe”. O pronome lhe substitui objeto indireto, e não objeto direto.

Questão real 3 — LHE como objeto indireto

Q2427453 · Cebraspe · MPE-TO · Analista Ministerial — Letras · 2024

Item resumido: a banca afirmou que duas ocorrências de lhe funcionavam como objeto indireto e substituíam expressões introduzidas pela preposição a.

Gabarito: certo. O pronome lhe retoma complementos indiretos equivalentes a “ao ser humano” e “ao humano”. A análise confirma a regra: lhe substitui termo de terceira pessoa regido pela preposição a.

Resumo de memorização

  • Pronome aponta para um referente e exerce função sintática.
  • Reto tende a sujeito; oblíquo tende a complemento.
  • Para eu fazer; para mim.
  • O/A substituem objeto direto; LHE/LHES substituem objeto indireto regido por A.
  • Vossa fala com; Sua fala de; ambos exigem terceira pessoa.
  • Possessivo concorda com a coisa possuída.
  • Este anuncia; esse retoma; aquele aponta o mais distante.
  • Bastantes = vários; bastante = muito.
  • Relativo retoma antecedente e exerce função na oração.
  • CUJO indica posse, concorda com o termo seguinte e rejeita artigo.
  • ONDE retoma lugar; AONDE indica destino exigido pelo verbo.
  • Próclise com atrator; mesóclise no futuro sem atrator; ênclise nos demais casos compatíveis.

Monte um caderno de erros por contraste

Registre as dúvidas em pares: eu × mim, o × lhe, este × esse, que relativo × que integrante, onde × aonde, próclise × ênclise. Ao revisar, escreva uma frase correta para cada lado. Esse método fixa a diferença que a banca realmente explora.

Estratégia final
Não decida pelo pronome isolado: volte ao referente, reconstrua a sintaxe e só depois avalie a regra.

Combine estes macetes com o Mapa Mental de Pronomes, o guia Como Estudar Pronomes para Concursos e os simulados de Língua Portuguesa. O mapa facilita a revisão, o guia aprofunda a teoria e os simulados mostram como as bancas combinam referência, sintaxe e reescrita.

Perguntas rápidas sobre pronomes em concursos

Qual é a diferença entre pronome reto e oblíquo?

O pronome reto exerce principalmente função de sujeito ou predicativo. O oblíquo funciona principalmente como complemento verbal ou nominal e pode ser átono ou tônico.

Quando usar “eu” ou “mim” depois de “para”?

Use “eu” quando o pronome for sujeito de um infinitivo, como em “para eu fazer”. Use “mim” quando a forma apenas completar a preposição, como em “isso é para mim”.

Qual é a diferença entre “o” e “lhe”?

O, a, os e as substituem normalmente objetos diretos. Lhe e lhes substituem normalmente objetos indiretos de terceira pessoa regidos pela preposição “a”.

Como diferenciar “este”, “esse” e “aquele”?

Este se liga ao falante, ao presente ou ao que será dito; esse se liga ao ouvinte ou ao que já foi mencionado; aquele indica distância dos interlocutores ou tempo mais remoto.

Como saber se “que” é pronome relativo?

O relativo retoma um antecedente, introduz oração adjetiva e exerce função sintática nela. A substituição por “o qual” e a reconstrução da oração ajudam a confirmar a análise.

Por que não se usa artigo depois de “cujo”?

Cujo já estabelece a relação entre o possuidor e o substantivo seguinte. Por isso, a norma-padrão rejeita construções como “cujo o” e “cuja a”.

Quais palavras atraem o pronome para antes do verbo?

Palavras negativas, pronomes relativos, interrogativos e indefinidos, conjunções subordinativas e advérbios sem pausa estão entre os principais fatores de próclise.

Revise os referentes e pratique

O domínio dos pronomes cresce quando você identifica o antecedente, reconstrói a função sintática e testa a substituição em frases completas.

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2 comentários em “Macetes de Pronomes para Concursos com Regras e Exemplos”

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