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Macetes de Conjunções para Concursos com Sentidos e Exemplos

Macetes de Conjunções para Concursos com Sentidos e Exemplos

Aprenda a reconhecer relações de adição, oposição, causa, condição, conclusão e outras ideias que as bancas exploram em classificação, substituição e reescrita.

LIGUEsepare as ideias conectadas
ENTENDAdescubra a relação de sentido
TESTEsubstitua e releia a frase

Conjunção não é apenas uma palavra que liga partes da frase. Ela mostra como uma ideia se relaciona com a outra. Em concursos, a lista de nomes ajuda, mas o gabarito costuma depender do contexto: o mesmo vocábulo pode indicar adição em uma frase, oposição em outra e até consequência em uma terceira. Por isso, use sempre a sequência estrutura → sentido → substituição → pontuação.

1

Entenda a função das conjunções

Nível básico: enxergue a conjunção como uma ponte de sentido.

Macete inicial
Não pergunte apenas “qual é a conjunção?”. Pergunte “que relação ela cria nesta frase?”.

Conjunções são palavras invariáveis empregadas para ligar termos equivalentes ou conectar orações. Elas não recebem flexão de gênero ou número: e, mas, porque, embora e se mantêm a mesma forma. O ponto central, porém, é o valor semântico que surge entre os segmentos conectados.

Conjunção também pode ligar termos

Nem toda conjunção aparece entre duas orações completas. Em “o conteúdo é extenso e complexo”, e liga dois adjetivos que exercem a mesma função. Em “estudou Português e Informática”, liga dois objetos diretos. A igualdade de função é importante: a conjunção coordena unidades que ocupam posição equivalente na estrutura.

E Termosclaro e objetivo
MAS Oraçõesestudou, mas errou
Sentidosoma, oposição, causa ou condição

Classe e função não são a mesma coisa. Uma palavra pode conservar origem adverbial e funcionar como conector entre períodos, como ocorre com portanto e entretanto. Em provas tradicionais, esses itens costumam aparecer nas listas de conjunções; em análises mais estritas, são tratados como advérbios conectivos.

O candidato conhecia a matéria.
MAS
Ele não administrou o tempo.

Na frase acima, mas não acrescenta apenas uma informação. O conectivo cria uma oposição entre conhecer a matéria e não administrar o tempo. É essa relação que permite classificar o valor e avaliar uma possível substituição por porém, contudo ou entretanto.

Quatro perguntas resolvem a maioria das questões

1. O que foi ligado?Termos, orações ou períodos?
2. Há dependência?Uma oração exerce função na outra?
3. Qual é o sentido?Soma, oposição, causa, condição?
4. O substituto serve?Preserva sentido e estrutura?
5. O verbo muda?Indicativo, subjuntivo ou infinitivo?
6. A vírgula muda?Posição e mobilidade foram mantidas?

A classe é invariável, mas o valor não é fixo

ConectivoFraseValor no contexto
eLeu o edital e organizou o plano.adição/sequência
eEstudou muito e não passou.oposição ou quebra de expectativa
comoComo estava cansado, descansou.causa
comoFez como o professor orientou.conformidade

Lista não substitui leitura. Saber que como pode ser causal não autoriza classificá-lo como causa em toda frase. A posição, a estrutura e a relação lógica precisam confirmar o uso.

Para revisar a teoria geral, consulte Quais São as Principais Conjunções que Caem em Concursos Públicos. Use este material de macetes para transformar a teoria em procedimentos rápidos de prova.

2

Separe coordenação e subordinação

Nível básico-intermediário: verifique a dependência sintática antes do sentido.

Macete da autonomia
Coordenação: orações sintaticamente autônomas. Subordinação: uma oração exerce função em relação à outra.

Coordenação

O candidato revisou e resolveu questões.

As duas orações possuem estrutura própria: “o candidato revisou” e “[o candidato] resolveu questões”.

Subordinação

O candidato percebeu que a questão era anulável.

A oração destacada completa o verbo percebeu: quem percebe, percebe algo.

Na coordenação, as orações não desempenham função sintática uma dentro da outra. Na subordinação, a oração subordinada pode funcionar como sujeito, objeto, complemento, característica de um nome ou circunstância da oração principal.

As três grandes famílias subordinadas

ISSO Substantivaexerce função de substantivo
QUAL Adjetivacaracteriza ou restringe um nome
Adverbialexpressa causa, tempo, condição e outras circunstâncias

As conjunções integrantes que e se introduzem orações substantivas. As orações adjetivas são normalmente introduzidas por pronomes relativos, e não por conjunções. Já as subordinadas adverbiais são introduzidas por conjunções e locuções que marcam causa, condição, concessão, tempo, finalidade, consequência e outras relações.

Macete de triagem
ISSO → substantiva. O QUAL → adjetiva. Circunstância → adverbial.

Orações coordenadas: assindéticas e sindéticas

ASSINDÉTICA
Leu, analisou, respondeu.
sem conjunção
×
SINDÉTICA
Leu e respondeu.
com conectivo

3A + CE: classificação tradicional mais cobrada

ADITIVAadição
ADVERSATIVAoposição
ALTERNATIVAescolha
CONCLUSIVAinferência
EXPLICATIVAjustificativa

Duas descrições gramaticais aparecem nas provas. A tradição escolar reúne cinco grupos de coordenativas. Em uma análise mais estrita, Bechara trata e, nem, mas, porém, senão e ou como conjunções coordenativas, enquanto palavras como logo, portanto, contudo, todavia e entretanto conservam comportamento adverbial. Em concursos, responda conforme a terminologia adotada no enunciado, mas reconheça sempre a relação de sentido.

ProcessoTeste sintáticoExemplo
Coordenaçãocada oração tem estrutura sintática autônomaEstudou, mas não descansou.
Subordinação substantivaa oração pode ser substituída por “isso”Disse que estudaria. → Disse isso.
Subordinação adverbiala oração acrescenta circunstânciaEmbora estivesse cansado, estudou.

Sentido não elimina sintaxe. Adversativa e concessiva expressam contraste, mas a adversativa coordena orações autônomas; a concessiva introduz uma oração subordinada que apresenta um obstáculo insuficiente para impedir o fato principal.

3

Domine aditivas, adversativas e alternativas

Nível intermediário: reconheça os três valores coordenativos básicos e seus usos especiais.

Macete dos 3A
ADITIVA soma; ADVERSATIVA contrasta; ALTERNATIVA oferece escolha ou alternância.

Aditivas: E, NEM e pares correlativos

enemnão só… mas tambémtanto… comobem como

As aditivas acrescentam uma informação a outra: “revisou a teoria e resolveu questões”. O conectivo nem reúne adição e negação: “não revisou nem resolveu questões”. Nas construções correlativas, os dois elementos trabalham juntos e podem destacar a segunda informação: “não só revisou, mas também elaborou um resumo”.

Nos pares correlativos, preserve o paralelismo. Compare: “não só revisou a teoria, mas também resolveu questões”. As duas partes apresentam verbos no mesmo plano. Uma construção desequilibrada — “não só revisou a teoria, mas também a resolução de questões” — mistura oração e grupo nominal, o que pode ser explorado em questões de reescrita.

“Nem” já contém a ideia de “e não”. Em uma coordenação negativa simples, nem costuma ser suficiente. A sequência e nem não deve ser tratada como erro automático em qualquer contexto, porque pode surgir com reforço expressivo; em questões de norma e concisão, porém, verifique se o e é realmente necessário.

O “e” pode esconder outros sentidos

FraseLeitura possívelSubstituição de teste
Leu o texto e respondeu.adição ou sequênciaalém disso / depois
Conhecia a regra e errou.oposiçãomas
Organize o tempo e terá melhor desempenho.condição seguida de consequênciase organizar, terá

Adversativas: contraste e quebra de expectativa

masporémcontudotodaviaentretantono entantonão obstante

A adversativa contrapõe ideias: “estudou, mas não passou”. A oposição pode ocorrer entre fatos diretamente contrários ou entre um fato e o resultado normalmente esperado. Quem estuda costuma aumentar as chances de aprovação; por isso, “estudou, mas não passou” cria quebra de expectativa.

Mas ocupa normalmente o início da segunda oração e possui pouca mobilidade. Já porém, contudo, todavia e entretanto podem aparecer intercalados: “o candidato, porém, manteve a resposta”. Essa diferença de posição explica por que uma substituição semanticamente possível pode exigir novas vírgulas.

“Mas” não significa necessariamente negação. Em “não pediu ajuda, mas orientação”, o conectivo retifica ou substitui o primeiro termo pelo segundo. O valor continua contrastivo, mas o mecanismo é de correção: não isto, e sim aquilo.

Alternativas: escolha, exclusão ou alternância

ouou… ouora… orajá… jáquer… querseja… seja

O conectivo ou pode indicar escolha exclusiva — “ou estuda, ou trabalha” — ou inclusão de possibilidades — “o recurso pode ser enviado por e-mail ou pelo sistema”. Os pares ora… ora e já… já costumam marcar alternância sucessiva: “ora concordava, ora apresentava ressalvas”.

Ou exclusivo

O item está certo ou errado.

As duas opções não podem ocorrer simultaneamente.

Ou inclusivo

Quem fala inglês ou espanhol pode participar.

Quem domina os dois idiomas também está incluído.

Forma coordenativa, sentido concessivo. Em “estarei presente, quer autorizem, quer não autorizem”, o par coordena duas possibilidades, mas o conjunto equivale a “ainda que não autorizem”. A banca pode perguntar tanto pela estrutura quanto pelo efeito semântico.

4

Diferencie conclusão e explicação

Nível intermediário-avançado: reconheça inferência, justificativa e os valores de “pois”.

Macete central
Conclusão nasce do raciocínio anterior; explicação justifica a afirmação, a ordem ou o conselho anterior.
CONCLUSÃOEstudou com método; portanto, aumentou suas chances.
EXPLICAÇÃOReleia o comando, pois há uma restrição importante.

APELO DE PORCO: conectores de conclusão

AssimPortantoEntãoLogoDesse modoPor issoCom issoPor conseguinte

O mnemônico reúne conectores que apresentam uma conclusão, uma inferência ou um resultado lógico elaborado pelo falante. Vários deles possuem comportamento adverbial e podem ocupar posições diferentes: “portanto, o item está errado”; “o item, portanto, está errado”; “o item está, portanto, errado”. A mudança de posição exige ajuste de pontuação.

FATOS ANTERIORESO candidato estudou, revisou e treinou.
INFERÊNCIALogo, chegou mais preparado.

Conclusão não precisa significar consequência física. Ela pode ser uma dedução do falante a partir de indícios: “as luzes estão apagadas; portanto, o setor deve estar fechado”. O fechamento não foi produzido pelas luzes apagadas; trata-se de uma inferência.

O sentido depende da direção do raciocínio

Compare as frases: “o candidato faltou porque estava doente” e “o candidato deve estar doente, porque faltou”. Na primeira, a doença vem antes na cadeia dos fatos e causa a falta. Na segunda, a falta serve como evidência para uma avaliação do falante. Esse movimento ajuda a distinguir causa de explicação e também mostra por que uma mesma palavra não recebe classificação fixa.

CausaDoença → falta
×
ExplicaçãoSuposição ← falta como evidência
×
ConclusãoIndícios → inferência

Explicativas: PORQUE, QUE e POIS

As explicativas justificam o conteúdo anterior, especialmente ordens, pedidos, conselhos, avaliações ou suposições: “saia cedo, porque haverá trânsito”; “não demore, que a prova começará”; “revise a resposta, pois o comando exige a alternativa incorreta”.

Imperativo é uma pista, não uma regra absoluta. A presença de ordem ou conselho favorece a leitura explicativa, mas a classificação precisa ser confirmada pelo sentido. Frases declarativas também podem receber justificativa.

POIS antes e depois do verbo

Antes do verbo

Releia, pois há uma restrição.

Na classificação tradicional de concursos, tende a ser explicativo.

Depois do verbo

Há uma restrição; o item está, pois, errado.

Intercalado ou posposto, tende a ser conclusivo.

A posição é forte indício, não autorização para ignorar o contexto. Antes de marcar, identifique se o trecho realmente justifica a ideia anterior ou se apresenta uma inferência.

Quando pois é conclusivo e aparece intercalado, costuma ficar entre vírgulas: “a banca alterou o comando; devemos, pois, reler as alternativas”. Quando é explicativo e inicia a oração, normalmente há apenas a vírgula que separa as duas orações: “releia, pois o comando mudou”.

Conclusão não é consequência gramatical

RelaçãoEstruturaExemplo
Conclusãocoordenação ou conexão textualEstudou; portanto, passou.
Consequênciasubordinação com resultado ligado à intensidade ou ao modoEstudou tanto que passou.
5

Reconheça as integrantes “que” e “se”

Nível avançado: diferencie conjunção integrante, pronome relativo e condição.

Teste do ISSO
Se a oração inteira puder ser substituída por “isso”, que ou se pode ser conjunção integrante.

QUE integrante

O fiscal informou que a prova começaria.

O fiscal informou isso.

SE integrante

Ninguém sabia se haveria recurso.

Ninguém sabia isso.

As integrantes não expressam causa, condição, tempo ou oposição. Elas introduzem uma oração subordinada substantiva, que pode exercer função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto. O valor exato depende da relação com o verbo ou o nome da oração principal.

Funções que a oração introduzida pode exercer

FunçãoExemploTeste resumido
SujeitoÉ necessário que todos estudem.Isso é necessário.
Objeto diretoPercebi que o item estava errado.Percebi isso.
Objeto indiretoInsisto em que você revise.Insisto nisso.
Complemento nominalTenho certeza de que ele virá.Tenho certeza disso.
PredicativoA verdade é que faltou tempo.A verdade é isso.
ApostoSó desejo uma coisa: que você seja aprovado.Só desejo isto: sua aprovação.

A conjunção integrante não exerce função sintática dentro da oração. Quem exerce a função é a oração inteira. No exemplo “percebi que o item estava errado”, o segmento completo funciona como objeto direto de percebi.

QUE integrante × QUE pronome relativo

ISSO
Espero que você passe.
conjunção integrante
×
O QUAL / A QUAL
O edital que li mudou.
pronome relativo

No primeiro caso, que apenas introduz o conteúdo esperado: “espero isso”. No segundo, que retoma o substantivo edital e exerce função dentro da oração “que li”: li o edital. Por isso, pode ser substituído por o qual, com os ajustes necessários.

O teste mecânico pode falhar quando aplicado sem análise. O pronome interrogativo que também pode introduzir pergunta indireta: “não sei que assunto caiu”. Transforme em pergunta direta — “que assunto caiu?” — e observe que o termo acompanha o substantivo assunto.

QUE = ISSO
Disse que viria.
introduz conteúdo
×
QUE = O QUAL
O livro que li.
retoma um nome

SE integrante × SE condicional

FraseTesteClassificação
Não sei se o edital mudou.Não sei isso.conjunção integrante
Se o edital mudar, refarei o plano.Caso o edital mude…conjunção condicional
Macete do verbo
Verbos de dizer, saber, perguntar, perceber, desejar e acreditar costumam abrir espaço para uma oração substantiva introduzida por que ou se.

Preposição antes de “que”. Em “tenho certeza de que ele virá”, a preposição pertence à regência do nome certeza; que continua sendo conjunção integrante. Não confunda “de que” com pronome relativo apenas por causa da preposição.

6

Compare causa, consequência e finalidade

Nível avançado: organize a cadeia motivo → resultado → objetivo.

CAUSAApresenta o motivo real ou considerado pelo falante.
Como estudou, passou.
CONSEQUÊNCIAApresenta o resultado produzido por intensidade ou modo.
Estudou tanto que passou.
FINALIDADEApresenta o objetivo buscado.
Estudou para que passasse.

PORQUE JÁ VI UMA CAUSA

porquejá quevisto queuma vez quecomoporquantopois

As causais indicam a razão de o fato principal ocorrer. Em “a estratégia foi revista porque o edital mudou”, a mudança do edital causa a revisão. O conectivo como costuma ser causal quando inicia a oração e pode ser substituído por porque: “como o edital mudou, a estratégia foi revista”.

A oração causal pode vir depois da principal — “a estratégia mudou porque o edital mudou” — ou antes dela — “porque o edital mudou, a estratégia foi revista”. Quando antecipada, a vírgula é obrigatória. A ordem pode alterar o foco informativo, mas não necessariamente a relação causal.

Causa × explicação

CAUSA DO FATOO candidato faltou porque estava doente.
A doença causou a falta.
JUSTIFICATIVA DA FALAEle deve estar doente, porque faltou.
A falta justifica a suposição.

Na primeira frase, a oração introduzida por porque apresenta a causa de uma ocorrência. Na segunda, ela fundamenta a conclusão do falante de que a pessoa deve estar doente. A ordem lógica das ideias muda, embora o conectivo seja o mesmo.

Consequência: procure o intensificador

Macete T4 + QUE
TÃO, TANTO, TAMANHO ou TAL preparando o “que” costuma anunciar consequência.
EstruturaExemploResultado
tão… queA prova era tão longa que faltou tempo.faltou tempo
tanto… queRevisou tanto que memorizou as regras.memorizou
de modo queOrganizou o material, de modo que encontrou tudo.encontrou tudo

“De modo que” pode mudar de leitura. Com verbo no indicativo, frequentemente apresenta consequência efetiva: “organizou-se, de modo que terminou”. Em uma construção orientada para objetivo, pode aproximar-se da finalidade, especialmente com subjuntivo: “organize-se de modo que consiga terminar”. O sentido e o modo verbal precisam ser observados.

Finalidade: PARA QUE e A FIM DE QUE

As finais indicam objetivo e costumam empregar o subjuntivo: “revisou para que identificasse as pegadinhas”. Quando o sujeito é o mesmo e não há necessidade de explicitá-lo, a oração pode ser reduzida de infinitivo: “revisou para identificar as pegadinhas”.

Desenvolvida e reduzida

RelaçãoOração desenvolvidaOração reduzida
CausaComo estudou, acertou.Por estudar, acertou.
FinalidadeEstudou para que passasse.Estudou para passar.
ConcessãoEmbora estivesse cansado, continuou.Apesar de estar cansado, continuou.

Na transformação, não basta retirar ou acrescentar a conjunção. A forma verbal precisa mudar, e o sujeito deve permanecer claro. A oração desenvolvida apresenta verbo flexionado; a reduzida usa infinitivo, gerúndio ou particípio.

Objetivo não é resultado garantido. “Estudou para que passasse” informa a finalidade do estudo, mas não afirma que a aprovação ocorreu. “Estudou tanto que passou” apresenta consequência realizada.

7

Use condição, concessão, conformidade e comparação

Nível avançado: diferencie hipótese, obstáculo, modelo e semelhança.

Condicionais: um fato depende do outro

secasocontanto quedesde quea menos quesalvo sesem que
Macete de conjugação
Em hipótese futura: SE + futuro do subjuntivo — se estudar; CASO + presente do subjuntivo — caso estude.

A condição apresenta uma hipótese necessária ou suficiente para o fato principal: “se estudar, passará”; “caso estude, terá mais segurança”. Em referências futuras, a troca de se por caso preserva o sentido condicional básico, mas normalmente exige a passagem do futuro para o presente do subjuntivo. Em outros contextos, a correlação pode ser diferente: “se estivesse” e “caso estivesse” mantêm o imperfeito do subjuntivo.

Locuções como contanto que, desde que e a menos que costumam pedir subjuntivo: “poderá recorrer, contanto que apresente fundamento”; “a resposta será aceita, desde que esteja completa”; “o prazo termina hoje, a menos que seja prorrogado”.

OriginalSubstituição corretaSubstituição incorreta
Se houver recurso…Caso haja recurso…Caso houver recurso…
Se ele vierCaso ele venhaCaso ele vier…

Concessivas: obstáculo que não impede o resultado

emboraainda quemesmo queconquantoposto quese bem quepor mais que

Em “embora estivesse cansado, concluiu a prova”, o cansaço poderia dificultar a conclusão, mas não a impediu. A concessão cria contraste e quebra de expectativa, assim como a adversativa, porém a oração concessiva é subordinada.

Concessivas introduzidas por embora, ainda que, mesmo que, conquanto e posto que normalmente selecionam o subjuntivo: “ainda que chova, haverá prova”; “embora estivesse cansado, continuou”. Mesmo quando o fato é tratado como real, a norma-padrão conserva o subjuntivo após embora. Portanto, a forma adequada é “embora estivesse cansado”, e não “embora estava cansado”.

CONCESSIVA
Embora estivesse cansado, terminou.
oração subordinada
ADVERSATIVA
Estava cansado, mas terminou.
orações coordenadas

Use a preposição em “apesar de”. Na norma-padrão, empregue apesar de antes de nome ou infinitivo — “apesar do cansaço”, “apesar de estar cansado” — ou apesar de que, construção menos frequente, antes de oração desenvolvida.

Conformativas: segundo um modelo ou informação

conformesegundoconsoantecomo

As conformativas indicam acordo com um modelo, regra, informação ou maneira previamente apresentada: “organizou os documentos conforme o edital determinava”. O sentido aproxima-se de “de acordo com”.

Comparativas: semelhança ou diferença de grau

comotal comoassim comomais… do quemenos… do quetanto… quanto

As comparativas relacionam seres, ações ou características: “a banca cobra conectivos como cobra pontuação”; “a prova foi mais difícil do que parecia”. É comum ocorrer elipse do verbo na segunda oração: “ela estudou mais do que o colega [estudou]”.

Essa elipse pode criar ambiguidade. “João admira Ana mais do que Pedro” pode significar que João admira Ana mais do que admira Pedro ou que João admira Ana mais do que Pedro admira Ana. Em questões de reescrita, a repetição do verbo ou do complemento pode ser necessária para preservar o sentido.

“Como” exige leitura completa. Pode indicar comparação, conformidade, causa, modo, pergunta ou retomada relativa. Teste substituições: porque para causa, conforme para conformidade e tal qual para comparação.

8

Enfrente conectivos de vários sentidos

Nível avançado: tempo, proporção e palavras que mudam conforme o contexto.

Temporais: localize o acontecimento no tempo

quandoenquantologo queassim quemalantes quedepois queaté quedesde que

As temporais relacionam momentos: “quando recebeu a prova, leu o comando”; “assim que terminar, revise”; “mal entrou na sala, o sinal tocou”. Nesse último exemplo, mal equivale a “assim que” e não expressa modo.

Antesantes que
Ponto inicialdesde que
Durantequando, enquanto
Depoisdepois que, logo que

Indicativo ou subjuntivo? Fato real ou habitual tende ao indicativo: “quando chega, organiza a mesa”. Com quando, logo que e assim que, a referência futura costuma empregar o futuro do subjuntivo: “quando chegar, organizará a mesa”. Isso não vale para todas as temporais: antes que normalmente seleciona o subjuntivo — “antes que chegue” ou “antes que chegasse”.

Proporcionais: variação simultânea

à medida queà proporção quequanto mais… maisquanto menos… menosao passo que

Nas proporcionais, duas grandezas ou situações variam de maneira relacionada: “à medida que resolvia questões, reconhecia os padrões”; “quanto mais revisava, mais rápido respondia”.

Nos pares proporcionais, mantenha a correlação: quanto mais… mais, quanto menos… menos, quanto mais… menos. A segunda parte precisa mostrar a variação correspondente. Em “quanto mais praticava, mais segurança adquiria”, o aumento da prática acompanha o aumento da segurança.

Não confunda simultaneidade com proporção

Duas ações podem ocorrer ao mesmo tempo sem variar proporcionalmente. Em “enquanto o fiscal distribuía as provas, os candidatos aguardavam”, há simultaneidade. Em “à medida que o fiscal distribuía as provas, a sala ficava silenciosa”, a progressão de um fato acompanha a do outro. A proporcionalidade pressupõe variação correlata, não apenas coincidência temporal.

Tempo simultâneo

Enquanto lia, fazia anotações.

As ações ocorrem no mesmo intervalo.

Proporção

À medida que lia, compreendia melhor.

A compreensão cresce junto com a leitura.

À medida que × na medida em que. Para proporção, prefira à medida que. A locução na medida em que costuma indicar causa ou fundamento, equivalente a “porque” ou “uma vez que”: “a medida é válida na medida em que protege o interesse público”.

Palavras-camaleão

COMO
Causa: Como choveu, a prova atrasou.
Conformidade: Fez como o edital pediu.
Comparação: Estuda como o irmão.
Interrogação: Como resolveu a questão?
DESDE QUE
Condição: Pode sair, desde que volte cedo.
Tempo: Estuda desde que o edital saiu.
ENQUANTO
Tempo: Revisou enquanto aguardava.
Tempo com contraste: Enquanto um revisava, o outro descansava.
AO PASSO QUE
Proporção/concomitância: Melhorava ao passo que praticava.
Contraste: A teoria é ampla, ao passo que a questão é específica.
Macete dos camaleões
Para COMO, POIS, E, SE, DESDE QUE, ENQUANTO e AO PASSO QUE, nunca marque pela palavra isolada.
9

Preserve sentido, modo verbal e pontuação

Nível final: substitua conectivos sem quebrar a frase.

Teste completo
Sinônimo semântico não garante substituição automática: confira posição, modo verbal, regência e vírgulas.

Substituição em cinco passos

  1. Separe as ideias: identifique exatamente os segmentos ligados.
  2. Nomeie a relação: oposição, causa, condição, conclusão ou outra.
  3. Escolha um equivalente: substitua por conectivo de valor conhecido.
  4. Ajuste a estrutura: mude o verbo ou a preposição quando necessário.
  5. Releia o período: confirme correção gramatical e sentido global.
OriginalSubstituiçãoAjuste necessário
Embora esteja cansado…Ainda que esteja cansado…nenhum; ambas concessivas
Se vier cedo…Caso venha cedo…futuro → presente do subjuntivo
Como o edital mudou…Conforme o edital mudou…inadequada: causa virou conformidade
Para revisarPara que reviseinfinitivo → subjuntivo

Pontuação que mais cai

AdversativaUse vírgula antes de mas: estudou, mas errou.
Conclusivo móvelIsole quando intercalado: errou, portanto, o item.
Adverbial antecipadaUse vírgula: embora soubesse, errou.

Orações coordenadas adversativas, conclusivas e explicativas costumam ser separadas por vírgula. Aditivas normalmente não recebem vírgula quando possuem o mesmo sujeito e sequência simples: “leu e respondeu”. A vírgula pode aparecer por mudança de sujeito, enumeração, repetição enfática do conectivo ou necessidade de clareza.

SituaçãoExemploObservação
Mesmo sujeitoLeu o texto e marcou a resposta.normalmente sem vírgula
Sujeitos diferentesO fiscal abriu a sala, e os candidatos entraram.a vírgula pode marcar a mudança
Repetição enfáticaE leu, e releu, e ainda ficou em dúvida.polissíndeto com vírgulas
Oração adverbial inicialQuando terminou, revisou tudo.vírgula obrigatória na antecipação

Posição inicial

Portanto, a alternativa está errada.

Posição intercalada

A alternativa, portanto, está errada.

Mover o conectivo pode exigir duas vírgulas. Palavras de comportamento adverbial, como portanto, contudo e entretanto, têm maior mobilidade que mas. Não desloque o termo sem revisar a pontuação.

Substituição pode alterar a intensidade da relação

Conectivos próximos nem sempre produzem exatamente o mesmo efeito. Mas, porém e contudo compartilham oposição, porém a posição e o grau de formalidade podem mudar. Embora e mesmo que expressam concessão, mas a segunda locução pode reforçar uma hipótese. A questão pode aceitar a troca quanto ao sentido básico e rejeitá-la por pontuação, modo verbal ou inadequação ao registro.

Última conferência
Pergunte separadamente: o sentido foi mantido? A gramática foi mantida? A pontuação foi ajustada?

Conjunção e colocação pronominal

Conjunções subordinativas costumam atrair o pronome átono para antes do verbo: “embora se esforçasse”, “quando lhe entregaram a prova”, “se me avisarem”. O fenômeno pertence à colocação pronominal, mas aparece em questões que destacam o conectivo.

Não confunda atração com função. Em “se me avisarem”, o primeiro se é conjunção condicional; me é pronome atraído pela oração subordinada.

10

Aplique o fluxograma na prova

Revisão final: resolva classificação, substituição e reescrita pelo mesmo roteiro.

1. DelimiteQuais termos ou orações foram ligados?
2. Teste a sintaxeHá autonomia ou dependência?
3. Leia a lógicaQual relação existe entre as ideias?
4. SubstituaUse um conectivo de valor conhecido.
5. AjusteRevise verbo, preposição e vírgulas.
6. ReleiaO sentido global foi preservado?

Questão real 1 — valor de “pois”

Q2492003 · Cebraspe · ANA · Especialista em Regulação de Recursos Hídricos e Saneamento Básico · 2024

Item resumido: no trecho em que duas declarações convergem “pois” uma delas se refere à proteção da cultura e do acesso à água, o vocábulo pois introduziria uma conclusão sobre a oração anterior.

Gabarito: errado. No contexto, o segmento introduzido por pois explica ou justifica a convergência entre as declarações. O conectivo não apresenta uma conclusão extraída da oração anterior; por isso, o valor cobrado é explicativo, e não conclusivo.

Questão real 2 — oração reduzida e conjunção final

Q2449839 · FGV · AL-PR · Analista Legislativo — Revisor Legislativo · 2024

Enunciado resumido: a banca pediu a transformação inadequada de uma oração reduzida em desenvolvida. A alternativa incorreta transformava “quero pesar menos para namorar mais” em “quero pesar menos para mais namoro”.

Gabarito: alternativa A. A oração reduzida de infinitivo tem valor final. Para desenvolvê-la, seria necessária uma conjunção final e um verbo flexionado, como “para que eu namore mais”. A expressão “para mais namoro” é nominal e não corresponde à oração desenvolvida solicitada.

Questão real 3 — valor de “porquanto”

Q2564642 · FCC · TRF da 3ª Região · Técnico Judiciário — Área Administrativa · 2024

Enunciado resumido: a banca perguntou qual relação a oração “porquanto a literatura que deu origem a elas não teria sido escrita” estabelece com a oração principal.

Gabarito: alternativa C — causalidade. No período, porquanto pode ser substituído por porque, visto que ou uma vez que. A oração introduzida pelo conectivo apresenta a causa de grande parte das ideias filosóficas e políticas não ter existido ou ter sido esquecida.

Monte um caderno de conectivos

Ao errar uma questão, não anote somente a palavra destacada. Registre a frase, o valor contextual, um substituto possível e o motivo de as demais relações estarem erradas. Organize os erros por contraste: causa × explicação, conclusão × consequência, adversativa × concessiva, integrante × condicional e conformidade × comparação.

Revisão eficiente: escolha uma palavra-camaleão por dia — como, pois, e, se, desde que — e escreva duas frases com valores diferentes. Essa prática treina exatamente a leitura contextual exigida pelas bancas.

Resumo de memorização

  • Conjunção é ponte de sentido, não apenas palavra de ligação.
  • Coordenação tem autonomia; subordinação tem dependência.
  • 3A + CE: aditiva, adversativa, alternativa, conclusiva e explicativa.
  • Conclusão é inferência; explicação é justificativa.
  • QUE/SE + teste do ISSO indicam possível conjunção integrante.
  • TÃO, TANTO, TAMANHO ou TAL + QUE anunciam consequência.
  • Em hipótese futura: SE estudar; CASO estude.
  • Concessiva contrasta sem impedir o fato principal.
  • À medida que indica proporção; na medida em que costuma indicar causa.
  • Substituição exige revisão de sentido, verbo e pontuação.
Estratégia final
Decore alguns conectivos de referência, mas classifique sempre pela relação produzida na frase inteira.

Combine estes macetes com o Mapa Mental de Conjunções, o guia Principais Conjunções que Caem em Concursos e os simulados de Língua Portuguesa. O mapa favorece a revisão; o guia amplia a teoria; as questões mostram como o contexto altera valores aparentemente conhecidos.

Perguntas rápidas sobre conjunções em concursos

Qual é a diferença entre conjunção coordenativa e subordinativa?

A coordenativa liga estruturas sintaticamente autônomas; a subordinativa introduz uma oração que exerce função sintática ou circunstancial em relação à oração principal.

Como diferenciar causa e explicação?

A causa apresenta o motivo de um fato ocorrer. A explicação justifica uma afirmação, ordem, conselho ou conclusão formulada pelo falante. A relação lógica entre as orações deve ser analisada.

Quando “pois” é explicativo ou conclusivo?

Na classificação tradicional, antes do verbo tende a ser explicativo; intercalado ou posposto ao verbo tende a ser conclusivo. A posição é uma pista que deve ser confirmada pelo contexto.

Como saber se “que” é conjunção integrante?

Substitua toda a oração introduzida por “que” pelo pronome “isso”. Quando a oração completa um verbo ou nome e a substituição funciona, “que” pode ser conjunção integrante. Se retoma um nome e admite “o qual”, é pronome relativo.

Qual é a diferença entre adversativa e concessiva?

Ambas expressam contraste. A adversativa coordena orações autônomas; a concessiva introduz uma oração subordinada que apresenta um obstáculo insuficiente para impedir o fato principal.

“Se” e “caso” exigem o mesmo tempo verbal?

Não. Em condições futuras, usa-se normalmente “se” com futuro do subjuntivo — se estudar — e “caso” com presente do subjuntivo — caso estude.

“Como” é sempre conjunção causal?

Não. “Como” pode expressar causa, conformidade ou comparação, além de aparecer em perguntas e retomadas relativas. O contexto e a substituição por um equivalente confirmam o valor.

Revise os sentidos e pratique

O domínio das conjunções cresce quando você compara frases, troca conectivos e identifica o efeito produzido em cada contexto.

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