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Quais São as Principais Conjunções que Caem em Concursos Públicos

Língua Portuguesa

Quais São as Principais Conjunções

que Caem em Concursos Públicos

Regras práticas e questões comentadas

🟣 Conceito

O que São Conjunções

Conjunções são palavras invariáveis que ligam termos de mesma função sintática ou conectam orações. Além de unir, elas estabelecem relações de sentido, como adição, oposição, causa, condição, conclusão e concessão. É justamente esse valor semântico que costuma decidir o gabarito em concursos públicos.

Exemplo
O candidato estudou, mas não administrou bem o tempo. → mas liga duas orações e indica oposição.

Em vez de decorar apenas listas, observe a relação criada entre as ideias. A mesma conjunção pode assumir sentidos diferentes conforme o contexto.

🟡 Regra

Conjunções Coordenativas

1️⃣ Aditivas

Acrescentam uma informação à anterior. As formas mais comuns são e, nem, não só… mas também, bem como e como também.

Exemplo
A candidata revisou a teoria e resolveu questões.

2️⃣ Adversativas

Expressam oposição, contraste ou quebra de expectativa. Entre as principais estão mas, porém, contudo, todavia, entretanto e no entanto.

Exemplo
Conhecia a regra, porém não percebeu a mudança de sentido.

3️⃣ Alternativas

Indicam escolha, alternância ou exclusão. Aparecem como ou, ora… ora, quer… quer e seja… seja.

Exemplos
Ou você identifica o sentido, ou a substituição poderá alterar a frase.
Ora concordava, ora apresentava ressalvas.

4️⃣ Conclusivas e explicativas

As conclusivas apresentam uma consequência lógica; as explicativas justificam a ideia anterior. A posição de pois ajuda a distinguir os dois usos.

Exemplos
• Estudou com método; foi, portanto, mais seguro para a prova. (conclusão)
• Releia a alternativa, pois o sentido mudou. (explicação)
🔵 Atenção

Conjunções Subordinativas

1️⃣ Integrantes

As conjunções que e se podem introduzir orações subordinadas substantivas, que exercem funções como sujeito, objeto ou complemento nominal.

Exemplos
• O fiscal informou que a prova começaria cedo.
• Ninguém sabia se haveria alteração no cronograma.

2️⃣ Causais e condicionais

As causais apresentam o motivo de um fato; as condicionais indicam a condição necessária para que outro fato aconteça.

Exemplos
Como leu o comando com atenção, percebeu a restrição. (causa)
Se houver dúvida, compare os sentidos. (condição)

3️⃣ Concessivas e temporais

As concessivas introduzem um fato que não impede o resultado; as temporais situam um acontecimento no tempo.

Exemplos
Embora estivesse cansada, concluiu a revisão. (concessão)
Quando recebeu a prova, leu primeiro os comandos. (tempo)

4️⃣ Outras relações importantes

Também aparecem relações de comparação, consequência, conformidade, finalidade e proporção. A classificação depende do sentido produzido na frase.

Exemplos
• Estudou tanto que reconheceu todas as relações. (consequência)
• Organizou o tempo conforme o edital previa. (conformidade)
• Resolveu questões para que identificasse as pegadinhas. (finalidade)
🟢 Macete

Como Identificar Conjunções

🔑 Teste da substituição

Troque a conjunção por outra de sentido conhecido. Se a relação entre as ideias permanecer, a classificação provavelmente está correta. O teste deve considerar a frase inteira, porque palavras como como, se, pois e e podem mudar de valor.

Exemplo 1

Embora estivesse inseguro, respondeu → Ainda que estivesse inseguro, respondeu ✅ (concessão preservada)

Exemplo 2

Como o edital mudou, o plano foi revisto → Conforme o edital mudou… ❌ (a causa virou conformidade)

📋 Relações que Você Precisa Reconhecer

Associe cada relação a alguns conectivos de referência. Depois, confirme o valor pelo contexto antes de marcar a alternativa.

  • Oposição: mas, porém, contudo, entretanto
  • Conclusão: logo, portanto, por conseguinte
  • Causa: porque, como, já que, uma vez que
  • Concessão: embora, ainda que, mesmo que
  • Condição: se, caso, contanto que, desde que
  • Tempo: quando, assim que, logo que, enquanto

⚠️ Pegadinhas Clássicas

A banca costuma explorar palavras que admitem mais de uma análise ou que mudam de sentido conforme a posição e o contexto.

  • E pode indicar oposição, e não apenas adição
  • Como pode expressar causa, comparação ou conformidade
  • Desde que pode indicar condição ou tempo
  • Que pode ser conjunção integrante ou pronome relativo
🟠 Resumo

Resumo Visual

Use este quadro para separar as duas grandes famílias e localizar mais rápido a relação pedida pela banca.

Coordenativas
Aditivas: e, nem, bem como
Adversativas: mas, porém, contudo
Alternativas: ou, ora… ora
Conclusivas e explicativas: logo, portanto, pois, porque
Subordinativas
Integrantes: que, se
Causa e condição: porque, como, se, caso
Concessão e tempo: embora, ainda que, quando
Outras: comparação, consequência, conformidade, finalidade e proporção
🟡 Pratique

Questões Comentadas

Selecione a alternativa que você considera correta e confira a explicação detalhada logo abaixo. Questões reais de certames públicos, com gabarito e comentário completo.

Banca: Instituto ACCESS

Órgão: Prefeitura Municipal de Rodeiro/MG

Prova: Concurso Público 1/2025 — Prova 1

Cargo: Guarda Municipal

Ano: 2025  |  Questão: 1

Questão 1 — No trecho do texto “A luavezinha” − “Disse que a canção que sonhara ainda ecoava dentro dela” −, há duas orações subordinadas introduzidas pela conjunção “que”. Com base na análise sintática e na relação entre as orações, assinale a alternativa que classifica corretamente cada uma delas.

(A) A primeira oração iniciada por “que” é uma oração subordinada substantiva objetiva direta, e a segunda é uma oração subordinada adjetiva explicativa.
(B) A primeira oração introduzida por “que” é subordinada adjetiva, pois se refere a uma ideia abstrata; já a segunda, também iniciada por “que”, é uma oração subordinada adverbial causal.
(C) A primeira oração iniciada por “que” exerce a função de objeto direto de “disse”, e a segunda é uma oração subordinada adjetiva restritiva, que caracteriza o substantivo “canção”.
(D) Ambas são orações subordinadas substantivas: a primeira objetiva direta e a segunda subjetiva.
✅ Gabarito — alternativa C)

Por que a letra C está correta
No primeiro segmento, que é uma conjunção integrante. A oração “que a canção que sonhara ainda ecoava dentro dela” completa diretamente o sentido do verbo disse: quem disse, disse algo. Por isso, ela é subordinada substantiva objetiva direta.

No segundo segmento, que retoma o substantivo canção e pode ser entendido como “a qual”. Nesse uso, não é conjunção integrante, mas pronome relativo. A oração “que sonhara” restringe qual canção ainda ecoava e, portanto, é subordinada adjetiva restritiva.

Por que as outras estão erradas
(A) A segunda oração não é explicativa; ela delimita o sentido de canção.
(B) A primeira oração não caracteriza um nome, e a segunda não apresenta causa.
(D) Apenas a primeira é subordinada substantiva; a segunda é adjetiva restritiva.

Resumo
Antes de classificar que, verifique sua função: se introduz um complemento, pode ser conjunção integrante; se retoma um nome, é pronome relativo.

Banca: Instituto ACCESS

Órgão: Prefeitura Municipal de Rodeiro/MG

Prova: Concurso Público 1/2025 — Prova 1

Cargo: Guarda Municipal

Ano: 2025  |  Questão: 8

Questão 2 — No trecho “Certa noite, quis saber se o mundo inteiro dormia com ela”, o vocábulo “se” desempenha papel fundamental na construção da oração. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a classificação gramatical dessa ocorrência da palavra “se”.

(A) Conjunção integrante, que introduz uma oração subordinada substantiva objetiva indireta.
(B) Pronome pessoal oblíquo, pois retoma o sujeito oculto e atua como complemento do verbo na forma reflexiva.
(C) Conjunção integrante, que introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta, funcionando como complemento do verbo “saber”.
(D) Conjunção condicional, já que introduz uma hipótese cuja realização depende do sujeito da oração principal.
✅ Gabarito — alternativa C)

Por que a letra C está correta
O verbo saber pede um complemento direto: a pessoa queria saber algo. Esse conteúdo aparece na oração “se o mundo inteiro dormia com ela”. O vocábulo se apenas introduz essa oração, sem indicar condição, e funciona como conjunção integrante.

A substituição confirma a função sintática: “Certa noite, quis saber isso“. Toda a oração pode ser trocada por isso e exerce a função de objeto direto de saber.

Por que as outras estão erradas
(A) A oração não é objeto indireto, pois o verbo não exige preposição nesse uso.
(B) O se não retoma nenhum termo nem indica ação reflexiva.
(D) Não há hipótese ou condição; há uma dúvida apresentada como conteúdo do verbo saber.

Resumo
Quando se introduz o conteúdo de uma dúvida, sem valor condicional, ele pode ser conjunção integrante.

Banca: Instituto ACCESS

Órgão: Prefeitura Municipal de Apiaí/SP

Prova: Concurso Público 1/2025 — Prova 1

Cargo: Técnico de Enfermagem

Ano: 2025  |  Questão: 7

Questão 3 — Leia com atenção as afirmativas a seguir:

I. O laboratório, que fica no terceiro andar, será reformado no próximo semestre.

II. Você será promovido se mantiver o desempenho atual.

III. É imprescindível que os estudantes revisem toda a matéria antes da prova.

IV. Como não havia luz no bairro, a reunião foi cancelada.

V. Precisamos analisar apenas os documentos que apresentam assinatura digital.

Em quais das afirmativas lidas há o emprego de uma oração subordinada adverbial?
(A) II e IV.
(B) II e V.
(C) I e IV.
(D) I, III e V.
✅ Gabarito — alternativa A) II e IV.

Por que a letra A está correta
Na afirmativa II, a oração “se mantiver o desempenho atual” estabelece a condição para a promoção. O se é uma conjunção subordinativa adverbial condicional.

Na afirmativa IV, a oração “Como não havia luz no bairro” apresenta a causa do cancelamento da reunião. Nesse contexto e no início do período, como equivale a porque ou já que.

Por que as outras estão erradas
(B) A afirmativa V contém oração subordinada adjetiva restritiva, pois que retoma documentos.
(C) A afirmativa I também contém oração subordinada adjetiva, desta vez explicativa, isolada por vírgulas.
(D) A afirmativa III contém oração subordinada substantiva subjetiva; ela exerce a função de sujeito de “é imprescindível”.

Resumo
Orações subordinadas adverbiais expressam circunstâncias. Nesta questão, aparecem condição na II e causa na IV.
🔴 Estratégia Final

Estratégia Final

Conjunções não são apenas palavras de ligação. Elas mostram como uma ideia se relaciona com a outra. Em qualquer certame, identifique primeiro essa relação e só depois escolha o nome da classificação.

🎯 Estratégia para a prova

Leia as duas partes ligadas, formule mentalmente a relação — soma, oposição, causa, condição, concessão ou conclusão — e teste uma conjunção equivalente. Se o sentido mudar, a substituição proposta pela banca está errada.

📝✨
❓ FAQ

Dúvidas Frequentes sobre Conjunções

O que são conjunções?

São palavras invariáveis que ligam termos de mesma função ou conectam orações, estabelecendo relações de sentido entre as partes do enunciado.

Qual é a diferença entre conjunção coordenativa e subordinativa?

A coordenativa liga termos ou orações sintaticamente independentes. A subordinativa introduz uma oração que exerce função ou estabelece uma circunstância em relação à oração principal.

Quais são as principais conjunções coordenativas?

As coordenativas podem ser aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicativas. Entre as formas mais conhecidas estão e, mas, ou, portanto, pois e porque.

Quais são as principais conjunções subordinativas?

Há conjunções integrantes e adverbiais. As adverbiais podem indicar causa, comparação, condição, consequência, conformidade, concessão, finalidade, proporção e tempo.

Como identificar o valor semântico de uma conjunção?

Leia as orações ligadas e pergunte qual relação existe entre elas. Em seguida, substitua o conectivo por outro de valor conhecido e confira se o sentido original foi preservado.

Por que a mesma conjunção pode ter classificações diferentes?

Porque a classificação considera o sentido construído no contexto. Como, por exemplo, pode indicar causa, comparação ou conformidade; se pode ser integrante ou condicional.

🔗 Continue Praticando

Continue Estudando Português para Concursos

Dominar as conjunções ajuda a compreender a estrutura e o sentido dos períodos. Coordenação, subordinação, pontuação e interpretação de texto aparecem conectadas nas provas. Quanto mais você compara relações e resolve questões, mais rápido reconhece as escolhas das bancas.

Dicas — Língua Portuguesa para Concursos Públicos | Conjunções



Estudo guiado

Como Analisar Conjunções Além das Listas

Decorar uma relação de conjunções ajuda no início, mas não resolve as questões mais elaboradas. Em concursos públicos, a mesma palavra pode assumir sentidos diferentes, e palavras distintas podem estabelecer a mesma relação entre duas ideias.

O caminho mais seguro é observar três pontos: a forma usada para ligar os segmentos, a relação sintática entre as orações e o sentido produzido no contexto. Quando essas três perguntas entram no raciocínio, a classificação deixa de depender de uma lista solta.

Ideia central: a conjunção funciona dentro de uma construção. Para classificá-la, não basta reconhecer a palavra; é preciso descobrir o que ela conecta e qual relação de sentido estabelece.

Forma, função e sentido: três perguntas diferentes

Pense na frase como uma construção em camadas. Primeiro, identifique o conectivo. Depois, verifique se ele liga orações sintaticamente independentes ou se introduz uma oração dependente. Por fim, determine a relação de sentido criada naquele contexto.

relação sintática
coordenação ou subordinação
+
relação de sentido
causa, oposição, condição…
classificação coerente com a frase inteira

É por isso que uma conjunção não deve ser classificada de forma automática. Como, por exemplo, pode introduzir causa, comparação ou conformidade. A palavra é a mesma; a leitura muda conforme as orações que ela relaciona.

Raciocínio para a prova

Antes de procurar um nome na memória, pergunte: quais segmentos estão ligados, um depende sintaticamente do outro e que ideia nasce dessa ligação? A resposta costuma eliminar alternativas baseadas apenas na aparência do conectivo.

Coordenação não significa ausência de relação

Orações coordenadas têm independência sintática: uma não exerce função dentro da outra. Isso, porém, não significa que estejam desligadas no sentido. A conjunção mostra como o falante organiza uma ideia em relação à outra.

Independência sintática

Em Leu o edital, mas não anotou os prazos, as duas orações possuem estrutura própria. A segunda não funciona como sujeito, objeto ou adjunto da primeira. Por isso, há coordenação.

Exemplo: Leu o edital, mas não anotou os prazos.

A primeira oração cria uma expectativa: quem lê o edital tende a observar os prazos. A segunda quebra essa expectativa. A conjunção mas explicita uma relação adversativa.

Estrutura: duas orações coordenadas + contraste entre as informações.

Relação argumentativa

A conjunção também orienta a conclusão do leitor. Compare estudou e foi aprovado com estudou, mas não foi aprovado. A troca do conectivo muda a maneira como o segundo fato é interpretado.

Exemplo: Estudou bastante, portanto ampliou suas chances de aprovação.

As orações continuam sintaticamente independentes, mas a segunda é apresentada como conclusão decorrente da primeira.

Estrutura: coordenação + relação conclusiva.

Erro comum

Confundir independência sintática com ausência de vínculo. As coordenadas não dependem uma da outra para exercer função sintática, mas podem manter relações claras de adição, oposição, alternância, conclusão ou explicação.

Mobilidade e pontuação dos conectivos

A posição do conectivo ajuda a reconhecer seu funcionamento. Algumas conjunções aparecem obrigatoriamente no início da oração que introduzem; outras admitem deslocamento e podem ficar intercaladas. A pontuação acompanha essa diferença.

Observe a posição

Mas inicia a oração coordenada adversativa: O candidato estudou, mas errou a questão.

porém e contudo podem aparecer no início ou deslocados: O candidato estudou; errou, porém, a questão.

O que a vírgula pode revelar

  • Mas normalmente não fica solto entre duas vírgulas como elemento deslocado.
  • Porém, contudo, todavia e entretanto admitem deslocamento dentro da oração.
  • Uma vírgula logo depois de mas pode isolar outro termo: Mas, naquele dia, ninguém recorreu.

Em questões de reescrita, não verifique apenas se duas conjunções parecem sinônimas. Confira também se a substituição preserva a posição possível do conectivo e exige alguma mudança de pontuação.

Como: uma palavra, três leituras

A palavra como mostra por que listas isoladas são insuficientes. Dependendo da relação entre as orações, ela pode introduzir causa, conformidade ou comparação.

Leia a relação entre as ideias

Como o prazo terminou, o sistema foi fechado. Aqui, a oração iniciada por como apresenta a causa do fechamento.

O fiscal procedeu como o edital determinava. Nesse caso, há conformidade: o procedimento seguiu o que estava determinado.

Ela resolve questões como um examinador experiente resolve. Agora, a relação é de comparação.

Como a banca tenta confundir

Ela apresenta como e oferece uma classificação que a palavra realmente pode ter, mas não possui naquela frase. A alternativa parece conhecida, porém ignora o contexto.

Para decidir, formule uma pergunta simples: a oração indica o motivo, o modo conforme um padrão ou uma aproximação entre elementos? O sentido produzido pela frase é mais confiável do que a palavra vista sozinha.

Que e se: nem toda ocorrência tem a mesma função

Que e se aparecem com frequência em orações subordinadas, mas não são sempre conjunções integrantes. A análise deve considerar a função da oração e, em certos casos, a função que o próprio termo exerce.

ConstruçãoAnálise
Espero que você revise.Que é conjunção integrante; a oração funciona como objeto direto de espero.
O conteúdo que caiu foi revisado.Que é pronome relativo: retoma conteúdo e exerce função na oração.
Perguntou se haveria recurso.Se é conjunção integrante; introduz o conteúdo da pergunta indireta.
Se houver recurso, avise.Se é conjunção condicional; apresenta a condição para o aviso.

O limite do teste de substituição

Substituir uma oração por isso ajuda a reconhecer sua função substantiva: Espero isso. Esse teste, porém, não prova sozinho que todo que ou se seja conjunção integrante. A função do termo e a estrutura original ainda precisam ser examinadas.

Causa e explicação: relações próximas, estruturas diferentes

Causa e explicação podem responder à ideia de “por quê”, mas não organizam a frase do mesmo modo. A oração causal apresenta o fato que produz ou motiva outro fato; a explicativa justifica uma ordem, um conselho, uma hipótese ou uma afirmação anterior.

Causa: A rua alagou porque choveu intensamente.

A chuva é apresentada como causa do alagamento. A oração causal pode ser antecipada: Porque choveu intensamente, a rua alagou.

Explicação: Feche a janela, porque está frio. A segunda oração justifica a ordem expressa na primeira.

Compare as estruturas

  • Na relação causal, há dependência sintática: uma oração funciona como adjunto adverbial da outra.
  • Na relação explicativa, há coordenação: a segunda oração justifica o que foi dito antes.
  • Ordens, pedidos e conselhos na primeira oração favorecem a leitura explicativa.

Não tente resolver apenas trocando porque por outra palavra. Observe a relação lógica, a dependência entre as orações e o tipo de enunciado que vem antes do conectivo.

Concessão e adversidade não são a mesma estrutura

A concessão e a adversidade aproximam ideias em contraste, mas pertencem a estruturas sintáticas diferentes. A primeira aparece em oração subordinada; a segunda, em oração coordenada.

RelaçãoExemploAnálise
ConcessivaEmbora estivesse cansada, continuou estudando.O cansaço poderia impedir o estudo, mas não impediu. A oração destacada é subordinada.
AdversativaEstava cansada, mas continuou estudando.As duas orações são coordenadas, e a segunda contraria uma expectativa.
ReescritaAinda que estivesse cansada, continuou estudando.A substituição preserva a concessão e mantém a estrutura subordinada.

Como isso aparece em certames

A banca pode explorar a proximidade de sentido e afirmar que embora e mas são equivalentes em qualquer substituição direta. O contraste pode ser semelhante, mas a troca exige reorganizar a frase, porque uma conjunção é subordinativa e a outra é coordenativa.

Pois, porque e e: posição e contexto mudam a análise

Alguns conectivos admitem mais de uma leitura, e a posição pode ser decisiva. Em vez de associar cada palavra a um único rótulo, examine o enunciado completo.

ConstruçãoLeituraMotivo
Estude, pois a prova se aproxima.ExplicativaA segunda oração justifica a orientação.
Estudou; acertou, pois, a questão.ConclusivaPois aparece deslocado, depois do verbo da oração.
A rua alagou porque choveu.CausalA chuva é causa do alagamento.
Feche a janela, porque está frio.ExplicativaO frio justifica a ordem anterior.
Estudou, e não foi aprovado.AdversativaO contexto atribui a e valor de oposição.

Pegadinha recorrente em provas

Uma conjunção pode ter um valor frequente sem possuir valor fixo em todas as frases. Posição, pontuação, tipo de oração e relação entre as ideias precisam confirmar a classificação.

Como resolver antes de marcar a alternativa

Quando a questão pede classificação, substituição ou manutenção de sentido, siga uma sequência. Ela reduz o risco de escolher uma alternativa apenas porque o conectivo parece familiar.

  1. Localize os segmentos conectados. Separe as orações ou os termos ligados.
  2. Verifique a dependência sintática. Uma oração exerce função na outra ou ambas são independentes?
  3. Identifique a relação lógica. Há soma, contraste, causa, condição, conclusão, concessão ou outra ideia?
  4. Teste um equivalente. Substitua o conectivo e confira se o sentido permanece.
  5. Observe posição e pontuação. A nova forma pode ocupar o mesmo lugar sem alterar a estrutura?
  6. Releia a frase inteira. A classificação precisa explicar o contexto, não apenas a palavra.

Treino mental

Não pergunte apenas “qual é o nome desta conjunção?”. Pergunte “o que esta conjunção faz nesta frase?”. A segunda pergunta conduz à classificação com muito mais segurança.

Questão real comentada: IFC — Auxiliar Administrativo

Banca: IFC  |  Órgão: Instituto Federal Catarinense

Cargo: Auxiliar Administrativo  |  Ano: 2012  |  Questão na coletânea: 775  |  Gabarito: B

Enunciado: A partir do fragmento da poesia de Ferreira Gullar responda as questões 4 e 5:

“Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena (…)”

A conjunção embora, sublinhada na estrofe supracitada, pode ser substituída sem alteração de sentido por:

(A) Visto que

(B) Ainda que

(C) Por que

(D) Se

(E) Entretanto

Comentário

A alternativa correta é a B. Embora introduz uma oração concessiva: o preço elevado do pão representa uma dificuldade, mas não impede a afirmação de que a vida vale a pena. Ainda que preserva essa relação de concessão.

Por que a alternativa B preserva o sentido

As duas locuções conjuntivas subordinativas introduzem um fato que poderia contrariar a ideia principal, sem impedir que ela se realize: Ainda que o pão seja caro, sei que a vida vale a pena.

Por que as demais não preservam a relação

  • A. Visto que introduz normalmente uma relação causal.
  • C. Por que é uma forma interrogativa e não introduz a relação concessiva do fragmento.
  • D. Se estabelece, nessa possibilidade de substituição, uma relação condicional.
  • E. Entretanto tem valor adversativo e liga estruturas coordenadas; a troca direta não preserva a organização sintática do período.

O que a banca testou

A questão exige equivalência semântica e compatibilidade sintática. Não basta escolher uma palavra que expresse contraste; é preciso manter a concessão introduzida por uma oração subordinada.

Amarrando o raciocínio

Conjunções conectam termos e orações, mas a classificação nasce do conjunto: forma, função sintática e sentido. Por isso, como, porque, pois, que, se e até e precisam ser lidos dentro da frase.

Em qualquer certame público, resolva com calma: localize o que está conectado, verifique a dependência entre as orações, identifique a relação lógica e só então teste uma substituição. A banca oferece rótulos conhecidos; o candidato preparado confirma cada um pelo contexto.




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2 comentários em “Quais São as Principais Conjunções que Caem em Concursos Públicos”

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