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Macetes de Crase para Concursos com Regras e Exemplos

Macetes de Crase para Concursos com Regras e Exemplos

Crase é a fusão de dois sons iguais. O caso mais comum ocorre quando a preposição a se encontra com o artigo feminino a ou as. Ela também pode ocorrer diante de aquele, aquela, aquilo e do pronome demonstrativo a. Comece pelo encontro entre preposição e artigo e, depois, avance para essas construções especiais.

A+A=À

Antes de decorar regras, faça duas perguntas: o termo anterior exige a preposição “a”? O termo seguinte aceita o artigo feminino “a” ou “as”? Quando as duas respostas são positivas, ocorre a crase. Essa lógica será aplicada nos macetes, comparações e exemplos a seguir.

1

Como entender a crase antes de decorar macetes

Conceito, diferença entre crase e acento grave e primeira comparação entre frases.

Apreposição exigida
+
Aartigo feminino
=
Àcrase
Macete principal
Quem vem antes pede “a”? Quem vem depois aceita “a”? Se os dois responderem “sim”, nasce “à”.

A crase não é o acento. Crase é o fenômeno de fusão; o acento grave é apenas o sinal que marca essa fusão na escrita. Em “obedeci à regra”, o verbo obedecer exige a preposição a, e o substantivo feminino regra admite o artigo a. A soma produz à regra. O mesmo sinal aparece quando a preposição se une ao início de aquele, aquela e aquilo, como em “referi-me àquela norma”.

Os dois elementos aparecem

Obedeci à regra.

Obedecer a + a regra = à regra.

Uma das peças não existe

Comecei a estudar.

Antes de verbo não existe artigo feminino. Há somente a preposição.

O teste em duas perguntas

1. RegênciaO termo anterior exige a preposição “a”?
2. ArtigoO termo seguinte aceita o artigo “a” ou “as”?
3. ResultadoSim + sim = à ou às.

Esse raciocínio é mais importante que qualquer frase decorada. Um macete pode acelerar a análise, mas só funciona bem quando você sabe qual peça está procurando. Ao encontrar um “a” em uma questão, não pergunte apenas “tem crase?”. Pergunte: de onde vem a preposição e de onde vem o artigo?

Distinção essencial: “a” pode ser artigo, preposição ou pronome demonstrativo. A banca explora essa diferença. Por isso, observe a relação da palavra com o termo anterior e com o termo seguinte.

Três “a” parecidos, funções diferentes

ArtigoA candidata chegou.
Acompanha o substantivo e varia: “as candidatas”.
PreposiçãoEntreguei a ela.
Liga o verbo ao complemento, mas “ela” não aceita artigo.
Pronome demonstrativoEscolhi a que estava completa.
Equivale a “aquela”; conforme a regência, pode surgir “à que”.

Esse quadro evita um erro comum: imaginar que todo “a” diante de palavra feminina é artigo. Em “obedeci a ela”, por exemplo, existe a preposição exigida por obedecer, mas o pronome pessoal não aceita artigo. Já em “obedeci à servidora”, o substantivo aceita o artigo e a fusão se completa. Na prática, a crase é uma questão de encaixe entre funções, não de aparência.

Leia a frase por peças
Primeiro descubra o que o termo anterior exige; só depois examine o termo que vem após o “a”.
FraseO termo anterior pede “a”?O termo seguinte aceita artigo?Resultado
Referi-me à candidata.Sim: referir-se a.Sim: a candidata.Crase obrigatória.
Convidei a candidata.Não: convidar alguém.Há artigo, mas falta preposição.Sem crase.
Voltei a estudar.Sim.Não: estudar é verbo.Sem crase.

A crase só aparece quando as duas condições se encontram.

2

O raciocínio principal para descobrir a crase

As duas perguntas decisivas, o teste do masculino e os limites dos atalhos.

Teste do masculino
Troque a palavra feminina por uma masculina equivalente: se aparecer “ao”, use “à”; se aparecer apenas “a” ou “o”, não use.
Vou à escola.
Vou ao colégio.

O teste funciona porque ao também é uma fusão: preposição a + artigo masculino o. Se a versão masculina pede ao, a correspondente feminina normalmente pede à. Em “entreguei o relatório à diretora”, troque diretora por diretor: “entreguei o relatório ao diretor”. O aparecimento de ao confirma a crase.

AO apareceu

Refiro-me à norma.

Refiro-me ao regulamento.

Somente O apareceu

Festejo a aprovação.

Festejo o resultado.

Regra do boi: o mesmo teste com uma palavra fixa

A chamada regra do boi transforma o teste do masculino em um procedimento rápido. Você retira a palavra feminina que aparece depois do “a” e coloca boi. Depois faz os ajustes necessários na frase.

1. LocalizeIdentifique o “a” que está sendo analisado.
2. SubstituaTroque o termo seguinte pela palavra “boi”.
3. Confira“Ao boi” confirma crase; “o boi” afasta a crase.

“Ao boi” confirma a fusão

Vivia em meio à natureza.

Teste: vivia em meio ao boi.

“O boi” mostra que falta preposição

É preciso fomentar a revolução.

Teste: fomentar o boi.

O limite do macete: a troca precisa manter uma estrutura equivalente. Não escolha uma palavra masculina que mude a regência, o sentido ou a construção. Quando a substituição ficar artificial, volte às duas perguntas do primeiro capítulo.

Quando o teste fica enganoso

O teste do masculino não deve ser aplicado de modo mecânico a qualquer palavra. Ele funciona melhor quando existe um correspondente masculino natural e quando a frase preserva a mesma relação sintática. Compare: assistiu à apresentação pode ser testado por assistiu ao espetáculo. A regência permanece igual. Porém, em uma locução fixa como à noite, trocar por um termo masculino pode produzir uma frase estranha e esconder a natureza da locução.

Substituição equivalente

Obedeceu à coordenadora.

Obedeceu ao coordenador.

Substituição artificial

Chegou à noite.

Não tente inventar um masculino para a locução. Memorize a forma consagrada.

O mesmo cuidado vale para palavras com sentidos diferentes. Se a troca altera o significado, você pode obter um “ao” que não comprova a estrutura original. Por isso, use o teste como confirmação de uma análise, não como aposta cega.

Macete rápido para a banca

  • Trocou por “ao”: crase nada mal.
  • Trocou por “o”: crase se lascou.
  • Não encontrou masculino equivalente: analise regência e artigo.
  • O teste confirma; ele não cria a regra.
Aplicação rápida

Frase: “O servidor deu atenção a solicitação apresentada.”

Teste: “deu atenção ao pedido apresentado”. Como aparece ao, a forma correta é deu atenção à solicitação apresentada.

3

Macetes para os casos obrigatórios

Palavras femininas determinadas, locuções, horas e construções paralelas.

Macete das locuções
Adverbial, feminina e locução: manda crase, meu irmão.

O emprego mais direto ocorre diante de substantivo feminino determinado, quando a palavra anterior exige a preposição a. Além desse caso central, as provas cobram muito as locuções femininas, as horas determinadas e os pronomes demonstrativos iniciados por a.

Substantivo femininoObedeceu à norma.
Referiu-se às candidatas.
Locução femininaChegou à tarde.
Saiu às pressas.
Hora determinadaA prova começa às 8 horas.

Locuções femininas mais cobradas

TipoExemplosComo reconhecer
Adverbiaisà tarde, à noite, às vezes, às pressas, à direita, à esquerdaFuncionam como circunstância de tempo, modo ou lugar.
Prepositivasà frente de, à procura de, à espera de, à custa deTerminadas geralmente em “de” e ligam dois termos.
Conjuntivasà medida que, à proporção queIntroduzem oração e estabelecem relação entre ideias.

Por que o acento aparece nas locuções? Em muitas locuções femininas, o acento grave também evita ambiguidade e marca uma construção consagrada pela norma-padrão. Em concursos, trate como formas fixas e memorize os grupos mais recorrentes.

Horas determinadas

Hora exata Chegarei às 8 horas.
Tempo futuro Daqui a duas horas.
Intervalo Das 8 às 10.
Macete das horas
Com hora determinada, crase é esperada; com tempo futuro ou duração, normalmente aparece apenas a preposição.

Hora marcada

A reunião será à uma hora.

O atendimento começa às nove horas.

Tempo decorrido ou futuro

O curso começou há duas horas.

Voltarei daqui a duas horas.

Cuidado com outras preposições: “após as dez horas”, “desde as nove” e “perante a comissão” não recebem crase porque já existe outra preposição antes do artigo. A exceção mais conhecida é até, estudada no capítulo da crase facultativa.

Locução ou encontro casual?

Nem toda sequência formada por “a” e palavra feminina é uma locução. Em entregou a documentação, o verbo entregar é transitivo direto: “a” é apenas o artigo do substantivo, sem preposição. Em procedeu à entrega, o verbo proceder, no sentido de realizar, rege a preposição a; como entrega admite artigo, surge a crase.

Somente artigo

Entregou a documentação.

O verbo é direto: não há preposição para formar crase.

Preposição + artigo

Procedeu à entrega.

O verbo exige “a”, e “entrega” admite artigo.

Macete de reconhecimento
Se a expressão inteira indica tempo, modo, lugar ou relação e funciona como bloco, desconfie de locução feminina.

Paralelismo: de… a e da… à

Macete do paralelismo
Se começou com “da”, termina com “à”. Se começou com “de”, termina com “a”.
EstruturaExemplo corretoLógica
de… aAtendimento de segunda a sexta.As duas pontas aparecem sem artigo.
da… àAtendimento da segunda à sexta.As duas pontas apresentam preposição + artigo.
das… àsAtendimento das 8 às 17 horas.O artigo plural aparece nos dois extremos.
Mistura inadequadaDe segunda à sexta.Quebra o paralelismo da construção.

Não olhe apenas para a palavra próxima. Em intervalos, a banca testa o conjunto inteiro. Leia o primeiro termo antes de decidir como escrever o segundo.

4

Macete dos lugares

Vou à, volto da; vou a, volto de — com os cuidados necessários.

Macete dos lugares
Vou à, volto da: crase há. Vou a, volto de: crase para quê?

O lugar aceita artigo

Vou à Bahia.

Volto da Bahia.

O lugar dispensa artigo

Vou a Roma.

Volto de Roma.

O teste da volta verifica se o topônimo admite artigo. Se você diz da Bahia, existe artigo feminino combinado com a preposição de; por isso, ao usar a preposição a, aparece à Bahia. Se você diz de Roma, não há artigo: usa-se a Roma.

DestinoVou a + nome do lugar.
Teste da voltaVolto da ou volto de?
DecisãoDa = à. De = a.

Lugar especificado: um nome que normalmente dispensa artigo pode recebê-lo quando vem determinado por adjetivo ou locução adjetiva: fui à Roma antiga, voltei à Copacabana da minha infância. O determinante muda a construção.

Topônimos que mudam conforme o uso

Alguns nomes de lugar aparecem ora com artigo, ora sem artigo, conforme a tradição regional ou o modo como o falante os emprega. Em vez de decorar listas intermináveis, use os testes da/na/pela. Se você diz “venho da”, “moro na” ou “passo pela”, há artigo; com a preposição a, haverá crase.

Venho da GáveaVou à Gávea. O topônimo admite artigo.
Venho de CopacabanaVou a Copacabana. Nesse uso, não há artigo.
Venho da Copacabana da infânciaVolto à Copacabana da minha infância. A especificação favorece o artigo.

Em questões de reescrita, observe se a banca acrescentou ou retirou um determinante. A mudança de “Roma” para “Roma antiga” não é decorativa: ela pode alterar a presença do artigo e, por consequência, o uso do acento grave.

5

Macetes para os casos proibidos

Bloqueios rápidos, mnemônicos e os casos em que falta preposição ou artigo.

Bloqueio rápido
Masculino, verbo, palavra repetida e pronome que não aceita artigo: a crase sai de perto.
BloqueioMaceteExemploPor quê?
Palavra masculinaMasculino, crase é pepino.a prazo, a cavalo, a péNão existe artigo feminino diante do termo.
Verbo no infinitivoAntes de ação, sem marcação.começou a estudarVerbo não admite artigo.
Palavras repetidasRepetidas, crases proibidas.cara a cara, gota a gotaA construção usa preposição pura.
Sentido indefinidoIndefinida, crase perdida.a uma, a qualquer, a certa pessoaNão há artigo definido feminino.
Pronomes que rejeitam artigoPronome sem artigo deixa a crase sem abrigo.a ela, a quem, a Vossa ExcelênciaFalta o artigo feminino.

A no singular antes de palavra no plural

Macete do S
“A” no singular + palavra no plural: não coloque crase. Para haver “às”, o S precisa aparecer no artigo.

ÀS + plural

Referiu-se às candidatas.

Preposição a + artigo as.

A + plural

Referiu-se a candidatas.

O substantivo está empregado sem artigo definido.

Atenção à leitura: “a pessoas interessadas” e “às pessoas interessadas” podem ser estruturas corretas, mas não significam exatamente a mesma coisa. A primeira é mais genérica; a segunda aponta um grupo definido. O erro é escrever à pessoas, misturando singular e plural.

Antes de numeral

Numeral, sozinho, não determina automaticamente o uso ou a proibição. O ponto central continua sendo a presença do artigo. Em refiro-me a quatro candidatas, não há artigo definido. Em chegarei à uma hora, a expressão indica hora determinada e recebe acento grave. Por isso, não transforme “antes de numeral não há crase” em regra absoluta.

Resumo seguro: diante de numeral cardinal que apenas quantifica um substantivo sem artigo, normalmente não há crase; diante de horas determinadas, há.

Outros bloqueios que a banca combina na mesma frase

As questões mais difíceis raramente apresentam um único bloqueio. É comum aparecer, por exemplo, um verbo no infinitivo ao lado de uma locução feminina ou um pronome pessoal depois de um verbo que exige preposição. O objetivo é fazer o candidato aplicar uma regra geral onde ela não cabe.

Preposição sem artigo

O aviso foi dirigido a ela.

O verbo exige “a”, mas o pronome pessoal rejeita artigo.

Preposição com artigo

O aviso foi dirigido à servidora.

O substantivo feminino aceita artigo definido.

Também não há crase depois de outras preposições, como para, com, desde, após e perante. Em “compareceu perante a comissão”, o “a” é artigo, porque a relação prepositiva já é estabelecida por perante. Somar um acento grave criaria uma combinação inexistente.

Macete de exclusão
Se outra preposição já está visível, não invente uma segunda preposição “a” para formar crase.
6

Crase facultativa sem confusão

As duas formas corretas e o que continua obrigatório na estrutura.

Mnemônico
ATÉ SUA MARIA: depois de até, diante de possessivo feminino singular e antes de nome próprio feminino.
ATÉFui até a secretaria.
Fui até à secretaria.
SUAReferi-me a sua professora.
Referi-me à sua professora.
MARIAEntreguei o documento a Maria.
Entreguei o documento à Maria.

A crase facultativa não nasce sempre pelo mesmo motivo. Antes de nome próprio feminino e de pronome possessivo feminino singular, o artigo pode aparecer ou ser omitido: com artigo, ocorre a fusão; sem artigo, permanece apenas a preposição. Depois de até, a situação é diferente: pode-se usar somente a preposição até — “até a sala” — ou acrescentar também a preposição a antes do artigo — “até à sala”.

CasoSem craseCom craseObservação
Após atéFui até a sala.Fui até à sala.A preposição até pode vir sozinha ou seguida da preposição a.
Possessivo feminino singularObedeço a minha orientadora.Obedeço à minha orientadora.Depende do emprego do artigo antes do possessivo.
Nome próprio femininoReferi-me a Ana.Referi-me à Ana.Depende de o nome ser usado com artigo naquele contexto.

Preferência de uso: diante de possessivo feminino singular, o português contemporâneo frequentemente emprega o artigo; por isso, a forma com crase é muito comum. Em prova objetiva, porém, a banca pode perguntar se o emprego é facultativo.

Como não confundir facultativo com obrigatório

1. Retire o artigoA frase continua correta?
2. Recoloque o artigoA frase também continua correta?
3. Se ambas funcionamO uso é facultativo.

Não generalize: o fato de um nome próprio feminino admitir uso facultativo não significa que toda ocorrência de nome próprio tenha duas formas. O artigo varia conforme região, familiaridade e contexto. A banca normalmente fornece uma frase em que as duas construções são possíveis.

O que permanece obrigatório mesmo perto de um facultativo

A facultatividade diz respeito ao artigo, não à regência. Se o verbo exige a preposição a, essa preposição continua necessária. Em “referi-me a Maria”, existe a preposição, mas o artigo foi omitido. Em “referi-me à Maria”, a mesma preposição se soma ao artigo. O que não seria aceitável é eliminar a preposição e escrever uma construção incompatível com a regência.

Referi-me a MariaA preposição está presente; o artigo foi omitido.
Referi-me à MariaA preposição se juntou ao artigo.
Referi MariaNesse sentido de “referir-se”, a preposição exigida desapareceu.

Essa distinção ajuda nas questões que perguntam se a retirada do acento preserva a correção. Muitas vezes, retirar apenas o acento transforma à em a e mantém a preposição; em um caso facultativo, a frase continua correta.

7

Palavras e construções especiais

Pronomes, casa, terra, distância, horas especiais e a expressão “à moda de”.

Regra com cuidado
Diante de pronome, crase passa fome — mas não diante de todos.
Normalmente sem crasePode ou deve receber craseExemplo
Pronomes pessoais: ela, vocêDemonstrativos: aquele, aquela, aquiloRefiro-me àquela norma.
Indefinidos: qualquer, alguma, nenhumaPronome demonstrativo “a” = aquelaSua resposta é semelhante à que recebi.
Relativos: quem e cujoRelativos: a qual, as quaisA regra à qual obedeci.
Tratamentos: Vossa Excelência, Vossa SenhoriaSenhora, senhorita, dona em certos usosEntreguei o documento à senhora.

Aquele, aquela e aquilo

Teste de substituição
Àquele = a este. Àquela = a esta. Àquilo = a isto.
Refiro-me àquele assunto.
Refiro-me a este assunto.

O “a” final da preposição se encontra com o “a” inicial do demonstrativo. A troca por a este, a esta ou a isto deixa visível a preposição exigida. Outra confirmação é substituir por um nome masculino: referi-me ao assunto.

À que e à qual

Pronome demonstrativo “a”

Minha resposta é semelhante à que você deu.

Equivale a: semelhante àquela que.

Pronome relativo “a qual”

A norma à qual obedeci.

Obedecer a + a qual.

Quem e cujo

Sem crase: “a quem” e “a cuja”. Esses pronomes não admitem artigo antes deles. Exemplos: a pessoa a quem obedeci; a autora a cuja obra me referi.

Pronomes de tratamento: a exceção dentro do grupo

Expressões como Vossa Excelência, Vossa Senhoria e Vossa Majestade normalmente não admitem artigo; por isso, escreve-se dirigi-me a Vossa Excelência. Já senhora e senhorita podem admitir artigo: entreguei o formulário à senhora. Em determinados usos com dona ou com nome próprio acompanhado de tratamento, a presença do artigo pode variar.

Tratamento sem artigo

Encaminhei o pedido a Vossa Senhoria.

Tratamento com artigo

Encaminhei o pedido à senhora.

Macete com ressalva
Vossa Excelência fica sem crase; senhora e senhorita podem receber artigo.

Quando a prova apresenta apenas a palavra “pronome”, não aplique uma proibição automática. Identifique qual pronome está sendo usado e verifique se ele admite artigo ou se começa pelo próprio elemento a, como aquele e aquela.

Horas em construções especiais

Hora determinadaChegou às 8 horas.
A indicação exata recebe crase.
Outra preposiçãoChegou após as 8 horas.
“Após” já introduz a expressão; o “as” é apenas artigo.
Depois de atéFicou até as/às 8 horas.
As duas construções são admitidas.

Meio-dia e meia-noite: escreve-se ao meio-dia, porque o núcleo é masculino, e à meia-noite, porque a expressão é feminina. Em intervalos, preserve o paralelismo: das 8 às 10 horas ou de 8 a 10 horas.

CASAlar ou casa determinada?
TERRAoposta a bordo ou especificada?
DISTÂNCIAlocução ou medida numérica?

Casa

Sentido de lar, sem determinação

Voltei a casa.

“Casa” funciona de forma genérica, sem artigo.

Casa especificada

Voltei à casa da minha mãe.

A determinação favorece o artigo.

Divergência importante nas referências: uma das obras apresenta a casa determinada como caso de emprego da crase; a outra registra como facultativa a construção a/à casa de meus pais. Para concursos, siga o tratamento da banca e da gramática adotada no edital. Quando a questão não explicitar corrente, a forma com artigo e crase diante de casa claramente especificada é amplamente aceita.

Terra

Terra oposta a bordo

Os marinheiros chegaram a terra.

Nesse sentido específico, não se usa artigo.

Terra determinada ou planeta

Voltaram à terra natal.

O astronauta retornou à Terra.

Distância

ConstruçãoExemploAnálise
Locução “à distância”Observou tudo à distância.A locução consagrada recebe acento grave.
Medida numéricaFicou a cinco metros da porta.Expressão de distância medida, sem artigo.
Distância determinadaFicou à distância de cinco metros.O substantivo “distância” está expresso e determinado.
Resumo das três palavras
Sem especificação, casa e terra podem rejeitar o artigo; com determinação, o artigo reaparece. “À distância” é locução, mas “a cinco metros” é medida.

Como responder quando as gramáticas divergem

Em materiais para concursos, divergência não deve ser escondida nem transformada em confusão. O caminho seguro é separar três níveis: a regra mais difundida, o tratamento registrado pela obra adotada e o contexto da questão. Para casa determinada, por exemplo, você pode encontrar a orientação de uso obrigatório do artigo e também o registro de facultatividade. Se a banca citar uma gramática, siga-a. Se pedir apenas uma forma correta, prefira uma construção claramente aceita, como à casa da diretora.

Estratégia de prova: em itens de certo ou errado, uma afirmação absoluta como “sempre obrigatório” merece atenção quando existe variação registrada. Em múltipla escolha, compare todas as alternativas antes de decidir qual interpretação a banca adotou.

Com distância, mantenha a separação entre a locução substantiva expressa e a medida numérica. “Observava à distância” apresenta a locução; “estava a cem metros” apresenta apenas a medida. A frase “estava à distância de cem metros” torna o substantivo explícito e determinado.

À moda de ou à maneira de

Exceção ao masculino
Se estiver subentendido “à moda de” ou “à maneira de”, a crase pode aparecer até antes de nome masculino.
Gol à PeléEquivale a “gol à maneira de Pelé”.
Móveis à Luís XVEquivale a “móveis à moda de Luís XV”.
Bife à milanesaA ideia de modo ou estilo justifica a locução feminina.

Por que essa exceção importa? O macete “diante de masculino não há crase” continua útil, mas não é absoluto. A banca adora apresentar uma construção com estilo, moda ou maneira ocultos para verificar se o candidato conhece a exceção.

8

Pegadinhas que mudam o sentido

Comparações em que a crase muda a função, a regência ou o significado.

Sentenças invertidas

Objeto indireto deslocado

Às pessoas de bem, o mundo deve dar valor.

Dar valor a + as pessoas.

Sujeito da oração

As pessoas de bem devem buscar um mundo melhor.

O sujeito não vem introduzido pela preposição a.

A inversão da ordem faz o termo aparecer no início da frase, mas não muda sua função sintática. Antes de decidir pela crase, descubra se ele é complemento regido por preposição ou sujeito do verbo.

Não confunda: uma pequena mudança altera a estrutura e o sentido

Bater à porta

Bater para chamar alguém ou pedir entrada.

A construção apresenta a preposição a seguida do artigo.

Bater na porta

Também pode significar bater para chamar alguém.

“Na” é a contração de em + a; não há oposição obrigatória de sentido com “bater à porta”.

Bater a porta

Fechar ou golpear a porta.

“A porta” funciona como objeto direto.

Escrever à mão

O candidato escreveu a redação à mão.

“À mão” é uma locução adverbial de modo.

Entregar a mão

A criança entregou a mão ao médico.

“A mão” funciona como objeto direto, sem preposição.

Vender à vista

A loja vendeu o produto à vista.

“À vista” indica pagamento imediato.

Analisar a vista

O oftalmologista analisou a vista do paciente.

“A vista” funciona como objeto direto.

Como usar esses pares: eles são bons para mostrar que a crase depende da estrutura e do sentido. Não os transforme em frases decoradas isoladamente; pergunte sempre qual função o termo exerce.

O erro de analisar somente a palavra feminina

Uma mesma palavra pode aparecer com ou sem crase porque a regência muda. Compare: visitou a escola e dirigiu-se à escola. O substantivo escola aceita artigo nas duas frases; a diferença está no verbo. Visitar é transitivo direto e não pede preposição. Dirigir-se, no sentido de ir a um lugar, exige a preposição a.

Verbo sem preposição

Visitou a escola.
Conheceu a diretora.

Os complementos são objetos diretos.

Verbo com preposição “a”

Dirigiu-se à escola.
Obedeceu à diretora.

O artigo feminino se encontra com a preposição.

Macete de prova
Não julgue a crase olhando só para a palavra depois dela; volte um passo e confira a regência.
9

Fluxograma e resumo visual dos macetes

Uma sequência única para decidir entre crase obrigatória, proibida e facultativa.

1. Há exigência de “a”?Analise regência ou locução.
2. O termo aceita artigo?Teste masculino, volta do lugar ou contexto.
3. Existe bloqueio?Verbo, masculino, pronome sem artigo, repetição.
4. É facultativo?Até, possessivo, nome feminino.
5. É caso especial?Aquele, a qual, casa, terra, distância, à moda de.
6. DecidaObrigatória, proibida ou facultativa.

Quadro final: obrigatória, proibida ou facultativa

CRASE OBRIGATÓRIA Palavra feminina com preposição e artigo; locuções femininas; horas determinadas; aquele, aquela, aquilo; a qual e as quais quando regidos.
CRASE PROIBIDA Palavra masculina; verbo; palavra repetida; pronome que não aceita artigo; termo indefinido; “a” singular diante de plural.
CRASE FACULTATIVA Depois de até; antes de possessivo feminino singular; antes de nome próprio feminino; casa determinada conforme a referência adotada.

Os macetes que merecem ficar na memória

  • A + A = À.
  • Troque por masculino: “ao” confirma crase.
  • Vou à, volto da; vou a, volto de.
  • Adverbial feminina e locução: use crase.
  • Com hora determinada, crase é esperada.
  • Masculino e verbo normalmente bloqueiam.
  • Palavras repetidas ficam sem crase.
  • A singular + plural não vira “à”.
  • ATÉ SUA MARIA resume os facultativos.
  • A + aquele = àquele.
  • À moda de vence a regra do masculino.
  • Se começou com “da”, termine com “à”.
10

Aplicação em concursos e revisão final

Questões reais, miniavaliação, estratégia de prova e revisão espaçada.

Duas questões reais resolvidas pelos macetes

VUNESP · Prefeitura de São Bernardo do Campo/SP · Professor II de Português · 2023

Trecho resumido: a substituição de “a quem não guarda segredo” por “àquele que não guarda segredo” emprega corretamente a crase?

Gabarito: sim. O termo anterior exige a preposição “a”, e ela se une ao “a” inicial de “aquele”: a + aquele = àquele. O teste por “a este” confirma a preposição.

VUNESP · Polícia Civil de São Paulo · Escrivão de Polícia · 2022

Trecho resumido: está correta a construção “de segunda à sexta-feira”?

Gabarito: não. A estrutura deve manter o paralelismo: de segunda a sexta-feira ou da segunda à sexta-feira. Se começou com “de”, termina com “a”; se começou com “da”, termina com “à”.

Miniavaliação

FraseRespostaMotivo
Chegamos à conclusão esperada.Correta.Chegar a + a conclusão.
Os alunos começaram à revisar.Incorreta.Antes de verbo não existe artigo.
O atendimento vai das 9 às 18 horas.Correta.Paralelismo das… às.
A norma se aplica à qualquer candidato.Incorreta.“Qualquer” não admite artigo definido.
Dirigi-me a/à minha coordenadora.As duas possíveis.Possessivo feminino singular.
O texto faz referência àquilo que foi dito.Correta.Fazer referência a + aquilo.
Última orientação
Na prova, use o macete para chegar rápido à hipótese e a teoria para confirmar a resposta.

Os macetes de crase funcionam melhor como instrumentos de revisão e decisão. Eles reduzem o tempo gasto em questões, mas não dispensam a identificação da regência, do artigo e da função sintática. Quando duas frases parecerem iguais, procure a diferença de sentido; quando uma regra parecer absoluta, procure a exceção. Esse hábito transforma a crase de uma lista de proibições em um sistema previsível.

Estratégia de 30 segundos para cada item

Primeiros 10 segundosLocalize o “a” e o termo anterior.
Mais 10 segundosAplique o teste adequado: masculino, volta do lugar, paralelismo.
Últimos 10 segundosProcure bloqueio, facultatividade ou exceção.

Se a resposta não surgir nesse roteiro, marque a questão para revisão e avance. Em prova cronometrada, insistir por vários minutos em uma exceção rara pode custar pontos mais fáceis. Depois, retorne com calma e faça a análise completa.

Como revisar este material

  • Na primeira leitura, estude os capítulos 1 a 4 e refaça os testes sem consultar.
  • Na segunda, concentre-se nos bloqueios e facultativos dos capítulos 5 e 6.
  • Na terceira, revise pronomes, palavras especiais e pegadinhas avançadas.
  • Por fim, use apenas o fluxograma e o quadro final para revisão rápida.

Quando errar uma questão, não anote somente o gabarito. Registre qual peça faltou: regência, artigo, locução, topônimo, pronome ou exceção. Com poucas revisões, seu caderno de erros mostrará exatamente qual macete precisa ser reforçado.

Para aprofundar a teoria, consulte também o guia Quando Usar Crase em Concursos e o Mapa Mental de Crase para Concursos. Para praticar, resolva os simulados de Língua Portuguesa com gabarito comentado.

Perguntas rápidas sobre crase em concursos

Qual é o macete mais seguro para saber se há crase?

Troque a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se aparecer “ao”, a forma feminina normalmente exige “à”. Se aparecer apenas “o” ou “a”, não há fusão entre preposição e artigo.

Existe crase antes de palavra masculina?

Em regra, não. A principal exceção ocorre quando está subentendida uma expressão feminina como “à moda de” ou “à maneira de”, a exemplo de “gol à Pelé”.

Existe crase antes de verbo?

Não. Verbos não admitem artigo. Em “começou a estudar”, há somente a preposição “a”, sem possibilidade de crase.

Quando a crase é facultativa?

Nos casos mais cobrados, depois da preposição “até”, antes de pronome possessivo feminino singular e antes de nome próprio feminino, desde que o contexto admita o artigo.

Como saber se um nome de lugar recebe crase?

Use o teste da volta: se você volta “da”, vai “à”; se volta “de”, vai “a”. Um topônimo sem artigo pode passar a admiti-lo quando vem especificado.

“A quem” recebe crase?

Não. O pronome “quem” não admite artigo. O “a” que aparece antes dele é somente a preposição exigida pela regência.

“À distância” ou “a distância”?

A locução “à distância” recebe acento grave. Em uma medida numérica sem o substantivo expresso, usa-se “a cinco metros”, “a dez quilômetros” e construções semelhantes.

Fixe os macetes resolvendo questões

A teoria vira acerto quando você reconhece a estrutura em frases de prova.

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